Antropologia

Tuesday, January 11, 2005

Globalização - varios autores

Globallização é : Um conjunto de processos de intensificação dramática dos movimentos de capitais, mercadoria, ideias, cultura e pessoas à escala planetária e das relações e articulações e dependências que por seu intermédio se forma entre os indivíduos e a sociedade.
Instancias
· Económica
· Politica
· Cultural
3 Palavras-chave
· Fluxo
· Fronteira
· Interdependência

Fenómeno social total

· Económica afecta directamente as pessoas Desemprego no ocidente, outsourcing
· Politica põe em causa poderes tradicionais (UE)
· Cultural tem três níveis

1- Sistemas de ideias -igualdade entre homens e mulheres
-casamento monogâmico
- Supremo valor da vida
-felicidade ligada ao consumo

2- Domínio da religião -difusão religiosa, papa jp II, IURD
3- mass madia -Holiwood, mac donalds, industria cultural , moda

As permeabilidades de cada povo a cada uma das instancias variam:
Japoneses são abertos a tecnologia mas pouco abertos a aspectos culturais.
EUA são abertos a pessoas mas pouco abertos a novas ideologias politicas.


David Harvey- Compressão do tempo e dos espaço como condição da pos-modernidade

ü different senses of time;
ü I use the word 'compression' because spatial barriers that the world sometimes seems to collapse inwards upon us"

Anthony guiddens- há dois tipos de relações : Face a face (pré-moderno) + relações sociais á distancia (pos-moderno)

AS RELAÇÕES DE ASSIMETRIA DA GLOBALIZAÇÃO

Existe um centro e uma periferia classificados respectivamente pelo seu grau de influência um no outro. Acontece que também dentro das periferias há centros.
Brasil = América latina
EUA - ocidente/mundo
Japão oriente
ZONAS DE DEBATE

Quão recente é a globalização
Quais os aspectos negativos e positivos?

Três posições
· Cépticos
· Evolucionistas
· Hiperglobalizadores
A globalização não é fenómeno novo, apenas acentuação
É algo novo
É algo novíssimo e inédito, é o não lugar

Para os evolucionistas houveram dois acontecimentos que despoletaram a globalização
ü Sec 16 com a expansão europeia
ü Sec 19 com o imperialismo tecnológico a partir do fordismo em busca de novos mercados.
ü Os responsáveis são basicamente a baixa nos preços dos transportes bem como o liberalismo económico.

A própria antropologia é fruto da globalização pois começou com o colonialismo
Dantes não estudava mas hoje é a antropologia que mais se interessa pelo tema

Temas preferidos
ü Dimensão cultural da globalização
ü Estrutura contemporânea da diversidade cultural
ü Ponto de vista etnográfico

CONSEQUENCIAS DA GLOBALIZAÇÃO

· Dissociação entre cultura e território
· Desterritorializaação / reterritorialização

GRANDE ZONA DE DEBATE

Homogeneização VS diversidade cultural

Defensores da homogeneização:
· Os mais fortes aniquilam os mais fracos
· Já desapareceram algumas línguas e religiões


Defensores da diversidade cultural apesar da globalização
(posição privilegiada pelos antropólogos)
· Reapropriação (Dallas)
· Recriação
· Negação do processo passivo
· Bricolage com cultura
Há resistência cultural e por vezes politica

Apadurai- dantes havia uma oposição entre potencias e localidades que defendiam as suas culturas e economias, agora há mais uma hibridização das culturas através de sobreposições e contactos entre periferias .


Inda Xavier e Renato Rosaldo

A globalização é a mistura dos mundos através de contactos e ligações que possibilitam a interacção e as trocas de pessoas bens e ideias através de fronteiras muito permeáveis. A própria globalização enquanto mistura de culturas gera um produto novo
A globalização é consequência de uma diminuição das distâncias que gera ao mesmo tempo um aumento do espaço possível de alcançar. Apesar de todas as facilidades nem toda a gente tem a mesma mobilidade e sofre da mesma forma o impacto da globalização.
Há três dimensões de impacto da globalização, a económica, a politica e a cultural. A globalização já não é só o aumento dos contactos entre as pessoas e sociedades ela implica também uma reorganização do tempo e dos espaço. A distância encolheu e o nosso espaço de acesso é maior e tem influencia mais alargada. Tudo começou basicamente com dois grandes marcos históricos que formaram até hoje as duas fazes da globalização, uma pertencente ao sec 16 e correspondendo aos descobrimentos e à colonização e uma segunda fase durante o sec 19 despoletada pelo desenvolvimento tecnológico, pelo fordismo e muito em particular pelo interesse na busca de novos mercados para os produtivos. Assim podemos concluir que foram razões económicas que despoletaram a globalização. Anthony Giddens salienta uma das mudanças fulcrais que considera determinantes para podermos falar de globalização. Para Giddens há dois tipos de relações uma relação do tipo face a face característica das sociedades pré-modernas e outra que é o encontro remoto este possibilitado pelo desenvolvimento da tecnologia e como tal característico das sociedades pos-modernas. Assim para Giddens a globalização deve-se a um incrível incremento deste ultimo tipo de relação à distância que teve como consequência a já referida por David Harvey compressão espaço-tempo.
A globalização gerou também um aumento da interdependência entre pessoas e sociedades, de tal forma que uma decisão tomada num local poderá ter fortes impactos num local completamente longínquo do mundo entre este tipo de acontecimentos encontramos o crescente fenómeno da deslocalização ou do “outsorcing” bem como o fenómeno da bolsa.
Antes do fenómeno da globalização uma cultura estava sempre ligada a um território fixo (à excepção dos ciganos). Nos dias de hoje verificamos que o abandono parcial de um território não significa o fim de uma cultura mas sim um relocalização da mesma cultura noutro local. Assistimos assim a um fenómeno de desterritorialização e reterritoriaçlização que na maioria das vezes se deve a um abandono do local de origem devido a motivos económicos e políticos que só é possível mais uma vez devido à acessibilidade crescente que se tem verificado a nível dos transportes e comunicações. Este fenómeno de facilidade de deslocação estar. a bastante visível através das comunidades transnacionais

TEORIA DA UNIFORMIZAÇÃO CULTURAL VERSUS DIVERSIDADE CULTURAL

Uniformização cultural: duas vias

Económico politica após a 2ª guerra mundial os EUA ganharam hegemonia económica e consecutivamente politica.
Cultural todo o mundo conhece a cultura ocidental (hegemonia) que nos sugere cada vez mais uma monocultura global.

Diversidade cultural

ü As pessoas não são receptáculos passivos da cultura são sim interpretativos
ü As pessoas recriam a cultura (Dallas)
ü É mentira que seja só o centro a falar e a periferia a ouvir, a periferia também se faz ouvir no centro
ü Os países do centro com a imigração acabam por adquirir traços culturais da periferia, já não tem uma cultura pura.

Há uma constante recriação das culturas

Conclui-se então que não há só homogeneização mas também heterogenização pois o ocidente está cada vez mais heterogéneo.

A globalização trouxe o EST ao REST e o REST ao EST**

A globalização não é unidireccional de domínio imperialista segundo a maioria dos antropólogos é sim um projecto global.

ULF HANNERZ

É cada vez mais difícil ver o mundo como um mosaico de varias peças separadas uma vez que com o fenómeno da globalização fez aumentar as conexões intercontinentais e aquilo a que normalmente chamamos de cultura são cada vez mais sub culturas dentro de uma entidade maior. A globalização tem sido muitas vezes entendida como um fenómeno assimétrico entre o centro e a periferia. O centro é determinado por supremacia económica no entanto também existe produção cultural na periferia no entanto as relações entre o centro e a periferia são estabelecidas com intuitos económicos. A França e Inglaterra são mais ricas em valores culturais do que em valores económicos ou políticos (a língua também é uma manifestação cultural). Há países mais permeáveis que outros a diferentes tipos de “mercadorias”, uns são mais permeáveis a pessoas outros mais permeáveis a bens. Os EUA são mais permeáveis a pessoas que o Japão estes tem uma cultura mais restrita do que de difusão ao contrario que os norte americanos. A França por exemplo é exportadora de valores como a comida e a moda, o Vaticano exporta religião.
Acontece que é a difusão tecnológica e económica que trás consigo o poder. No entanto também há centros de poder no terceiro mundo e que a periferia também fala mas sob a forma de arte, religião e misticismo.

2 VISÕES
· As relações entre o centro e a periferia conduzirão ao desaparecimento das diferenças culturais.
· O sistema mundo é naturalmente uma fonte de variedade e diversidade cultural e as diferenças culturais não são vestigiais.

O transnacionalismo é um importante canal para o fluxo de ideias produtos e pessoas.
Fala-nos do caso nigeriano e de que as novas gerações já procuram estudar (segundo o modelo ocidental) indo para o centro. Há um fluxo assimétrico de globalização cultural e as instituições da periferia começam a ser construídas á imagem das do centro rumo à estandardização. Assim o centro coloniza a mente da periferia através das suas formas de fazer que não deixam por vezes alternativa: (monopólio). A colonização cultural é feita através de mensagens apelativas da publicidade e as comunidades periféricas não conseguem ser competitivas no mercado. Podem no entanto criar nichos de mercado particulares aproveitando recursos exclusivos da sua cultura como a sensibilidade, a musicalidade etc.
Assim, na fase inicial o centro coloniza a periferia mas no fim o fluxo torna-se bilateral. A invasão pelo centro costuma ser vista como destruidora da pureza cultural mas o uso de materiais vindos do centro é feito de acordo com as necessidades pragmáticas da periferia: (sapatos de sola de pneu). A sua recriação daquilo que é importado do centro pode ser reinterpretada em tom de gozo (importação de séries mais baratas). A linguagem gestual pode ser mal interpretada daí que possa existir a duvida até que ponto eles consomem o simbolismo do centro.
A cultura importada não é deletérica pois não elimina a anterior.
(acaba sempre por ser recreativa esta mistura cultural uma vez que Wole Soynka, nigeriano recebeu premio nobel da literatura produto da adopção de padrões culturais ocidentais com a recriação dentro da sua cultura). Os média permitem a globalização pela neutralização do espaço e diminuição do tempo. Há em todo o mundo um movimento de back and forth .
Há países com tradição migratória (diásporas) mas nem todas as pessoas querem ser assimiladas pela outra cultura não querendo ser cosmopolita = pessoa com capacidade de relação com duas culturas. Gostam de utilizar numa cultura o que aprendem na outra por vezes tornam-se marginais. Apesar dos intelectuais do centro defenderem os valores culturais da periferia não são muito reconhecidos pelos dos centro.

2 Tipos de provincianismo.
· De abertura (os que querem responder ao centro)
· De fechamento (os que rejeitam o contacto para manter a tradição)
Por vezes no mesmo local coexistem as duas ideias (bretões)
Na segunda parte do sec 20 há um despoletar destas inter relações inédito na história onde cada relação depende das assimetrias culturais politicas e económicas. Todo o influxo deixa marcas na cultura. Nasce o conceito de sociedades plurais.
A periferia de hoje pode ser o centro de amanhã!

Jonathan Friedman-
Tanto a fragmentação étnica como a homogeneização moderna fazem parte da globalização. A cultura permite definir os contornos de um espaço e identificação específico e a própria modernidade e mercado de consumo tenta responder a esta necessidade de individuação e identificação. Os objectos contem em si valor simbólico que as pessoas querem usar para alcançar estatuto e poder. Imigrantes do Congo vão para França e depois regressam com estes ícones acabando por ter influência na organização social. São estes cosmopolitas que trazem novos valores para a periferia acabando por também criar nas periferias necessidades que originalmente não existiam lá nomeadamente no que respeita á roupa e na etiqueta: (falar na Kalela Dance). Desta forma o ideal consumista ocidental espalha-se a todo o mundo. Por vezes as minorias étnicas sem estatuto são obrigadas a englobar a sociedade maior e mais desenvolvida. (fala dos ainu) os Ainu apesar de terem acabado por morar em casas japonesas mantêm muitos dos traços culturais dos seus antepassados e fazem questão da preservação da língua e cultura que ensinam em escolas especiais Ainu. Para além disso fabricam artesanato que vendem à população japonesa. Assim a produção turística passou a ser a principal forma de vida dos ainu na contribuição para o redefinir da sua identidade. Os turistas interessam-se muito por esta cultura o que demonstra que cada vez mais à uma busca por mercadoria cultural. Os havaianos sentiram por seu lado a necessidade de afirmar a sua cultura devido a estarem a ser invadidos por outros.

Temos a demonstração de duas tendências: ainu tendem para o tradicionalismo, congoleses tendem para o modernismo já enunciados por inda e rosaldo.
2 Tipos de provincianismo.
· De abertura (os que querem responder ao centro)
· De fechamento (os que rejeitam o contacto para manter a tradição)
O que tem a ver sobretudo com as articulações entre o centro e a periferia, tem a ver com a sua emergência histórica.
Conclusão: verifica-se que nos últimos anos tem havido uma generalização massiva da identificação e organização social através do consumo o que fez com que este aumentasse e com ele a produção.

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