Antropologia

Tuesday, January 11, 2005

Etnicidade - Vários autores

Max Weber = etnias são grupos humanos que se apoiam na sua crença subjectiva, numa descendência comum baseada em similitudes de tipo disico ou de costumes ou em ambas ou devido a memórias comuns de emigração ou colonização.

O tema da etnicidade teve início nos anos 70 com Barth e Cohen embora a sociologia já se ocupasse do tema. No entanto os antropólogos já estudavam as tribos que são no fundo grupos étnicos. “Os Nuer têm descendência comum, similaridades físicas e tradição comum que os diferencia dos outros”.Acontece que não havia etnias porque esses grupos eram estudados segundo o paradigma tribal.

Paradigma tribal – unidades culturais cuja cultura é vista como:
· Conjunto de traços objectivos observados de fora
· Algo dobrado sobre si mesmo funcionando em regime fechado.

Este paradigma entra em declínio com a descolonização pois a ideia de tribo é considerada politicamente incorrecta devido a conotações negativas. No entanto as tribos mantêm-se e aparece o tribalismo em contextos urbanos. Depois surge a palavra etnia grupo étnico e etnicidade.

Há uma deslocação da terminologia e mudança do paradigma tribal para o paradigma étnico
Questiona-se o paradigma tribal nos anos 60. Questiona-se a visão de fora e a autonomia cultural.

Antropologia EMIC e ETIC.

EMIC – constrói-se um modelo da teoria para a cultura através de um olhar de fora
(fazia parte do paradigma tribal)
ETIC – concepção da cultura que os próprios têm (paradigma étnico).
O que interessa é a forma como os grupos vêm a si próprios e escolhem determinados traços para afirmar a sua diferença (emblemas). O paradigma étnico (emic) absorve a forma como o grupo os que convivem com ele elegem determinadas diferenças para os caracterizar.

Emic é uma versão interaccionista de fazer etnografia, agora, valoriza-se a interacção e abandona-se a visão fechada. Tem a ver com as interacções entre grupos isto a partir dos anos 60.

Barth:
Etnicidade tem a ver com identidade e fronteira:
Há o self ascription e o ascription by others que ajudam a constituir a identidade de um grupo
Certas diferenças à partida pouco importantes são elevadas a emblemas caracterizadores e diferenciadores dos grupos. Constitui-se assim uma teoria do grupo baseada na diferença. Daí a ideia de fronteira ser importantíssima para barth pois é através dela que se demarcam as diferenças e as pertenças
São fronteiras simbólicas, o meu grupo acaba onde começa o outro e os emblemas são demarcadores de fronteira simbólicas.
Etnicidade tem assim a ver com a demarcação de fronteiras significativas.


Barth critica a visão simplista do paradigma tribal enquanto análise da tribo como sistema fechado. Há na afirmação das etnias um processo de inclusão e exclusão da vida social e dos padrões de determinados emblemas e assim a vida social é mantida dentro de determinadas fronteiras.

O grupo étnico é defendido por : unidade de sangue (raça)
- Partilha de praticas e crenças culturais (cultura)
- Tem os mesmos conceitos linguísticos (língua)
- Oposição e reconhecimento pelo outro (sociedade)
a união interna é que cria fronteiras e rejeita o outro. As diferenças étnicas são maioritariamente culturais. Há o self ascription e ascription by others. Do self ascription faz parte a criação de emblemas. Não é só a biologia que marca a diferença mas especialmente os sinais e símbolos que todas as etnias emitem com ao roupa, formas arquitectónicas, forma de vida, religião etc. formando-se assim uma dicotomia entre o nosso e o deles.
Nos sistemas poli-etnicos como a Melanésia apesar das fronteiras existe cooperação (negação da Etic) mas as diferenças são mantida através de estereótipo e praticas.
Quanto à funcionalidade das etnias esta prende-se com a alimentação de tal forma que cada grupo possui um nicho alimentar que tem de defender no entanto podem fornecer e usufruir de serviços dos outros através de funções complementares. Também a demografica de uns afecta os outros devido a diversos factores culturais que também afectam a demografia. Há também formas de casamentos inter-etnicos onde começa a assimilação de uns grupos por outros e acaba por haver hierarquizações.


Cohen
Cohen enfatiza a política e o instrumentalismo para justificar a existência de etnias. A etnicidade pode ser encarada como um grupo informal de interesses usada para fortalecer o grupo e buscar vantagens para o mesmo o que tem a ver com a disputa de recursos. Apesar de criticar barth a politica está ligada com a identidade a hierarquia o que acaba por complementar a teoria de barth. Só nos anos 90 se desenvolve a etnicidade que passa primeiro para o tradicional e depois para o ocidental. Mantêm-se muito interesse nos contextos coloniais primeiro no 3 mundo depois estende-se ao primeiro mundo.
As tribos começam a integrar-se em estados passando a chamar-se grupos étnicos. Estes são um colectivo de pessoas que partilha normas e comportamentos interagindo com pessoas de outros grupos dentro do sistema social. a etnicidade tem a ver com o reconhecimento dos outros e por vezes constroem-se símbolos para representar as etnias. A etnicidade serve +ara se afirmarem as diferenças e é uma categoriza de iteração operando em sistemas sociais comuns. Desta forma etnicidade é algo que também existe nas cidades (Clyde Mitchell + Gluckman). Critica barth pois este tenta justificar a etnicidade como categoria básica da identificação (quase inato).
A etnicidade deve-se sempre à luta por recursos espaços daí que seja algo muito politizado.
Alguns grupos conseguem unir-se economicamente outros não. Há grupos formais (com unidade politica) e informais (sem unidade politica possuindo sempre algo que os une). Se numa cidade um grupo de migrantes continua a manter os seus costumes s significa que a sua etnicidade é muito forte.
Cohen nega o conservadorismo e a abordagem fechada.

Eriksen

Etnicidade tem a ver com a classificação de pessoas e relações de grupos. A raça é uma crença cultural mais que uma verdade genética à qual associamos um conjunto de ideias que constituem o estereótipo do outro.

Etnicidade identificação do nós
Raça – categorização dos outros

Distinção:
a raça pode ou não ser importante para as relações de etnicidade mas não é decisiva para justificar a etnicidade.
A classe social não justifica a etnia no entanto por vezes pode estar associada.

Motivos para a vulgarização da temática da etnicidade a partir dos anos 60
ü Mudança social (descolonização)
ü Mudança na forma de pensar a antropologia (Etic Emic)
Tribo remete para análises fechada, etnia remete para análise de relações com o interacionismo.

Etnia é uma categoria Emic de “ascription”— o indivíduo identifica-se com as praticas e crenças do grupo sentindo que é parte dele.
Para haver etnicidade é indispensável o relacionamento entre grupos pois esta só se afirma desta forma através da distinção e diferenciação.

Áreas de estudo étnico
ü Minorias étnicas urbanas
ü Populações indígenas e aborígenes
ü Proto-nações
ü Grupos étnicos em sociedades plurais.

Antes dos 90 estuda-se a etnicidade desde o sítio de origem, depois estuda-se no sítio de chegada. Desta forma sabemos que as migrações favorecem a etnicidade.

Anos 20 até 60 desenvolve-se a teoria assimilacionista para explicar a relação entre as pessoas migrantes e comunidade acolhedora. “straight line theory” segundo a qual os migrantes de 1ª geração tem etnicidade mas esta é episódica e a 2ª geração conduz ao desaparecimento da mesma estabilizando na 3ª geração. Estas eram no entanto migrações de brancos, irlandeses e italianos para os estados unidos. Havia assim uma linearidade na teoria assimilacionista. Assimilacionista: valoriza a assimilação em detrimento da etnicidade.
A partir dos anos 60 começam migrações de Mais cores e passam a haver mais desfechos possíveis. Muitas vezes a língua e muitos traços culturais perdem-se mas os grupos étnicos são ainda reconhecíveis (judeus, irlandeses) podendo alinda falar-se de etnicidade na 2ª 3ª e 4ª gerações.

Modos de expressão da etnicidade
· Categorização
· Diferenças tendenciais (padrões de voto, regras sexuais)
· Interesses informais (comercio étnico)

Com base nestes indícios podemos falar de etnicidade. Cada grupo tem uma relacção particular com s aociedade de acolhimento.

Formas intermédias de etnicidade

Hubert Gans – “simbolic etnicity”
Etnicidade simbólica apesar de a maioria dos traços étnicos se perder nas primeiras gerações há pormenores que se mantêm e que são os mais simbólicos:

Etnicidade simbólica:
· Aquela que não exige ligação a movimentos ou a grupo étnicos
· Reflecte-se em pormenores do dia a dia (ir à missa, fazer filhozes)
· Não é uma cultura praticada, apenas simbólica.

Walzer
As pessoas podem ser assimiladas mas manter contacto com a cultura de origem através da etnicidade simbólica

Luso- americano
- +
+ -
São uma identidade intermédia

Alejandro Portes
Há duas situações:
· A importância da etnicidade
· A importância da assimilação

Há a etnicidade linear – é a de 1ª geração onde se procura manter a cultura de origem
Etnicidade reactiva – a partir da 2ª geração quando há uma tendência para a integração mas quando percebem que são marginalizados reagem fortalecendo o seu próprio grupo (falha do american dream).

Há vários tipos de assimilação, não apenas a linear.
· Assimilação descendente – acontece com grupos de cor, caribenhos e afroa americanos, no inicio reagem á discriminação e asismilama cultura do guetto usandoo hip hop e certos comportamentos criminosos.
· Assimilação ascendente mais etnicidade – ocupam um bom nicho económico.

Portes, Alejandro

Em portes encontramos a ideia de que afinal a assimilação nem sempre é linear, mas segmentada. A assimilação nem sempre é feita a partir da assimilação não social e do progresso ascendente pode também desembocar numa assimilação negativa. Os haitianos e Miami tendem na primeira geração a ter uma identidade nacional forte redes de solidariedade comunitária e redes sociais, no entanto são altamente discriminados na escola e não sabem se hão de seguir o caminho da resignação ou da revolta. Os sihks por seu lado apesar da forte discriminação obtém altos resultados na escola o que se prende com a educação em casa. Desta forma portes questiona o modelo cultural dominante da absorção linear dos grupos de imigrantes. A assimilação é agora entendida como segmentada.
· Aculturação tradicional progressiva
· Assimilação à subclasse de pobreza permanente (assimilação descendente)
· Preservação da mobilidade económica com a ajuda da comunidade

O que causará cada uma das instancias desta assimilação segmentada?

Tem a ver com os recursos e as competências dos indivíduos, com conceitualizações morais e estereotipadas.
Por vezes nas cidades formam-se bairros degradados e guetos que funcionam como depósitos de filhos e netos de imigrantes.
A assimilação reactiva é muitas vezes consequência da reacção à discriminação e aqueles que conseguem um tipo de assimilação mais economicamente positivo são considerados traidores da comunidade e acusados de quererem ser brancos.
Há assim em muitas comunidades emigrantes o nivelamento descendente

A assimilação descendente ocorre quando:
· Quando há contacto com as minorias de imigrantes com excluídos sociais
· Quanto maiores forem os recursos cujo o acesso depende da conformidade com as normas dominantes

O caso dos estudantes mexicanos é um bom exemplo, enquanto os de primeira geração eram dóceis os de segunda e terceira gerações já tinham sido expostos à discriminação e tinham procedido a uma assimilação reactiva encontrando-se agora como fazendo parte da norma niveladora descendente vivendo no dilema entre o “chicano” e ser bem sucedido na escola por agir como o branco. O comportamento adverso protege-nos da discriminação mas simultaneamente atrasa as suas oportunidades ascendentes. Os mexicanos não cumprem as regras escolares, “aprendem a não aprender”

Os emigrantes tendem a unir-se devido a:
· Memoria cultural comum e identificação conjunta
(gera etnicidade linear)


· Emergência de um sentimento de solidariedade devido a descriminação conjunta
(gera etnicidade reactiva)

Estes processos geram ambos comunidades étnicas que em algumas situações através da ocupação de um nicho de mercado ou de desenvolvimento de indústrias étnicas conseguem uma assimilação ascendente.

Quantos mais densas forem as redes sociais maiores são as possibilidades de uma assimilação ascendente e verifica-se que a maior vantagem está nos laços fracos:
ü Raio de acção mais amplo
ü Natureza mais instrumental
ü Não redundância informativa

Assim as redes não redundantes são as melhores pois proporcionam mais oportunidades de êxito.
Sabemos que os pais que conseguem estabelecer plenitude institucional (cubanos e vietnamitas) conseguem proporcionar aos filhos melhores hipóteses de assimilação ascendente devido à menor discriminação a que estão sujeitos e a um maior apoio dentro do grupo étnico. Assim o que interessa não é o carácter do indivíduo mas o carácter da comunidade.









De facto o modelo não é linear E depende da natureza das relações que os grupos migratórios establecem com as sociedades de acolhimento que possibilita um desfecho múltiplo.


2 formas de Etnicidade forte
· Persistência da etnicidade acompanhada de mobilidade ascendente
· Etnicidade reactica e assimilação descendente

2 Formas de etnicidade intermédia
· Identidades hifenizadas
· Identidades simbolicas

Ideias importantes:
Todos os autores concordam que os desfechos das migrações étnicas podem ter
Há tendências de grupos que vigoram mais que outras e isto pode estar relacionado com:
· Decisões estaduais sobre politicas multiculturais ou
· Pode ter a ver com a corvários desfechos
O tempo é um factor muito importante (tempo entre gerações)



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