Antropologia

Tuesday, January 11, 2005

Antropologia Fisica

Hominídeos apareceram há cerca de 5 mya

Pleistoceno. O pleistoceno inferior (1.64mya) o planeta arrefece e aparecem muitos glaciares no pleistoceno médio (900.000 anos)

No pleistoceno superior há 130.000 anos o planeta aqueceu. Passando por faze intermédia h+a cerca de 12.000

Ardipithecus Ramidus 4.4
· Possível antecessor de homens e chimps
· Já é hominídeo poris tem o foramen magnum m ais á frente o que indica bipedismo
· Caninos mais pequenos mas maiores que os dos Australopithecus
· Vivia mais na floresta que os Australopithecus

Australopithecus Anamensis 3.9-4.1
· Já era bípede
· Grandes molares com esmalte fino
· Caninos reduzidos
· Arcada dental mais primitiva que o Afarensis = U
· Queixo recuado
· Pequenos canais auditivos

Australopithecus Afarensis (lucy) 3.2mya
· É o mais conhecido encontrado em afar
· Viviam em ambiente de floresta e savana
· Ainda se parecia muito com um priomatra superior
· 404 cm3 (igual aos chimps)
· crânio com sacos de ar
· dentição entre a dos primatas e dos humanos
· uma cúspide pequena por dentro e grande por fora nos 1os molares
· aiunda possuía um pequeno diastema
· caninos mais pqequenos
· era bípede
· músculos abductores permitiam-lhe o bipedismo diferent e dos chimpan Zés
· o pé e joelho são mais modernos que os dos chimpanzés
· os joelhos são mais hjuntos com ângulo enviesado
· no entanto a pélvis e o osso ileo estão muito para a frente ainda
· pélvis larga
· pegadas em laetoly confirmam o bipedismo
· passavam mto tempo mas arvores para dormir
· flanges curvas
· ombnros que anda suportavam a siuspensão
· bipedismo aparece daqueles que usavam a suspensão.
· Tinham dimorfismo sexual
· Não usavam ferramentas nem caçacam
· Grandes premolares sugerem que tivesse sido frugivero de frutos duros.

Motivos para o bipedismo:
1. mais segurança
2. menos esposição ao sol
3. mais esposição ao vento
4. menois evaporalção de agua
5. mãos livres para carregar coisas
6. mais visibilidade na savane
7. mais facilidade em colher frutos.

Australopithecus africanus (criança de taung)
· Parecido com o Afarensis
· Terá sido bípede (foramen magnum)
· também tem semelhanças com os símios como o cérebro pequeno mas maior que o do Afarensis
· Dentes maiores que os do Afarensis
· Grande dimorfismo
· Esqueleto pos craniano semelhante ao do Afarensis
· Molares fortes e mandíbula maior
· Mais arborícola que o Afarensis
· O pé é mais chimpanzé que o do Afarensis
Afarensis = crânio mais primitivo, corpo mais moderno
africanus = crânio mais moderno , corpo mais primitivo

australopithecus Aetiopicus 3 a 2 mya
· Entre o boisei e o afarensis
· Lago de turcana
· É o black skull

Australopithecus Garhy 2,5 mya
· Cérebro pequeno
· Prognatismo
· Dentes maiores que os do Afarensis e africanus
· Crista sagital
· Aparentemente poderá ter fabricado ferramentas
· Não se sabe se caçava

Australopithecus robustus 1.8 até 1mya
· Cc = 530 cm3
· Bípede
· Partilha caracterisitcas derivadas com os humanos
· Sistema de mastigação forte, mais que os africanus
· Grande masnsucula dom centes frandes
· Crista sagital pronunciada para aumentar a zona de agregação dos músculos temporais
· Grandes arcadas zigomáticas
· Mais prognatismo que os africans
· Comua frutos duros (alimentação sazonal)
· Aumento corporal favorecia a defesa dos predadores

Australopithecus Boisei
· Descoberto em Olduvai (Tanzania)
· Hiper robusto
· Dentes maiores e a mandíbula maior de todos
· Mais especializado em mastigação pesada

Homo Habilis 1.9 a 1.6 mya
· Crânio maior = 630 cm3
· Dentição mais pequena e moderna com esmalte mais fino
· Encontrado no lago de Turkana
· Crânio menos robusto
· Arcada dental moderna em parabólica
· Menos sacos de ar no crânio
· Menos prognatismo
· Músculos temporais reduxidos
· Esqueleto pos craniano ainda primitivo com braços compridos
· Algum dimorfismo

2 tipos
H Rudolfensis = mais robusto, cérebro maior
H Habilis = mais grácil cérebro menor, corpo e dentição mais modernos


Autor da primeira industria humana = industria olduvaiense
ü Pedras redondas partidas num dos lados
ü Formas variadas não devido á função mas á natureza do material
ü Uso das lascas

(o gahri já as podia ter fabricado)

Homo Erectus 1.8 mya
· Dominavam o fogo e a caça
· São do pleistoceno médio
· Espalharam-se pela Ásia e Europa
· Tem tórus supra orbital
· Maior capacidade craniana 1000 cm3
· Consumia carne (esqueleto coberto de camada anormal = consumo de fígado)
· É o 1º a ter o nariz projectado para mão perder água
· Ainda não tinha queixo
· Ramus da mandíbula é menor
· Sistema vestibular (do ouvido interno) mais moderno
· Quilha sagital e torus oxipital
· Proporções corporais modernas
· Eram muito altos
· Orifício medular na espinha muito estreito o que sugere pouco controlo respiratório, como tal não teriam linguagem

Há dois tipos:
· Indonésia = indonésia = mais gracil
· Africa = Ergaster = mais robusto
· Inventaram nova tecnologia aquiulense
· Há fósseis em Olduvai
· Evidências de fogueiras e ossos queimados foram encontrados

Industria aquiulense = aparecem especialmente os machados de mão quei serviam para descarnar as peças de carne. Esta industria não sofre alterações ao longo de um milhão de anos o que sugere que fosse transmitida culturalmente de geração em geração e fosse sendo imitada. As peças eram assim feitas com um mapa mental devido ás proporções que apresentam e eram construídas com propósitos específicos. Apareceu apenas no homo ergastesr (africano) o que inicialmente sugere que possivelmente fosse mais inteligente, no entanto há sempre a hipótese de contingências ambientais terem levado ao aparecimento deste tipo de in dustria em africa e não na ásia o que se prende com o hapitat do homo erectus asiático ser rico em bambuo que poderia facilmente ser usado como ferramenta.

Homo sapiens arcaico 800.000 a 500.000 até 200.00---0.9 a 0.13
· Tinham cérebros maiores que os Erectus
· Crânios mais redondos
· Lados verticais (já não são metidos para dentro)
· Parte superior da testa muito horizontal e chata
· Têm ainda crânio baixo
· Molares reduzidos
· face direita
· Arcadas supra-ciliares muito densas
· Ainda não tem queixo
· Os corpos eram mais robustos que os do homem moderno
· Encontram-se por todo o mundo
· Encontrado primeiramente em dolina na serra de attapuerca
· Espalhou-se pela Ásia coexistindo como Erectus
· Os Neandertais divergiram dos arcaicos , encontrados de há 300.000 anos na sima dos ossos

Homo Neandertal 127.000 a 30.000 anos
· Europeu ocidental
· Cara mais pequena e plana
· Dominaram a Europa durante o pleistoceno superior
· Crânio arredondado.

The Kalela dance - resumo e análise

Apresentação

A obra em análise trata-se de um ensaio monográfico realizado a partir de um trabalho de campo levado a cabo por J. Clyde Mitchell, professor de estudos africanos, no ano de 1951. O estudo foi efectuado na Rodésia do Norte, mais especificamente, em Copperbelt, cidade pertencente à actual Zâmbia. O estudo debruça-se sobre um determinado estilo de dança chamado Kalela, realizada por pessoas que contrariamente à sua tradição mais localizada residiam então, devido à colonização inglesa, num meio urbano.
Vamos proceder a uma breve análise da monografia, desenvolvendo o nosso trabalho ao longo de três pontos, respectivamente: a) o contexto espácio/temporal envolvente do trabalho de campo; b) explicitação do objecto central do estudo (a dança Kalela) e sua caracterização; c) apresentação do método utilizado, articulada com um enquadramento nas linhas teóricas subjacentes ao texto e inserindo-o na estrutura da obra.


CONTEXTO HISTÓRICO

Colonização e administração britânica
· Em 1888, Cecil Rhodes obtém dos administradores locais a concessão dos direitos sobre o minério.
· Mais tarde, nesse ano, a área que se veio a tornar no Norte e no Sul da Rodésia foi proclamada sobre a influência britânica.
· A British South África Company estabeleceu-se pela lei em 1889, e a colonização de Salisbury (que é agora a capital Harare) ficou estabelecida em 1890.
· Em 1895, o território adquiriu formalmente o nome de Rodésia sob a delegação de Cecil Rhodes, administrador da British South África Company.
· Com a desintegração da companhia em 1923, foi dado aos colonizadores brancos da Rodésia do Sul a opção de se incorporarem na União da África do Sul ou se tornarem numa identidade colonial do império britânico.
· Os colonizadores rejeitaram a incorporação, passando dessa forma a fazer parte do Reino Unido.
· Até 1980, a Rodésia foi uma colónia que se auto-administrou, tendo a sua própria legislação, funcionários públicos, forças armadas e policia. No entanto, apesar de não ser directamente administrada de Londres, o Reino Unido deteve sempre o direito de intervir nos assuntos da sua colónia, particularmente no que dizia respeito aos africanos.
· Depois de 1923, os imigrantes europeus concentraram-se em desenvolver os ricos recursos que a Rodésia tem em minerais e a sua aptidão para a agricultura. Os colonizadores exigiram assim, em 1923, a posse de mais terras e a divisão de algumas parcelas destinadas nomeadamente aos europeus.
· Em Setembro de 1953, a Rodésia do Sul unia-se numa multiplicidade racial. A Federação Africana Central juntamente com os britânicos procuravam apoiar a Rodésia do Norte e Nyasaland num esforço para desenvolver os seus recursos e o seu mercado.
· No entanto, ao aparato económico da Federação, opunha-se a população africana que receava não ser capaz de manter a sua auto-administração visto a estrutura federal ser dominada por brancos da Rodésia do Sul.
· A Federação foi dissolvida nos finais de 1963 depois de muitas crises e desordens. Assim a Rodésia do Norte e Nyasaland tornaram-se os independentes estados da Zâmbia e de Malawi em 1964.


OBJECTO DE ESTUDO

A Dança Kalela

A dança da Kalela é a dança mais conhecida e praticada na Rodésia do Norte. Tem um carácter verdadeiramente particular, pois embora seja considerada uma dança de carácter tribal devido à sua constituição e intuito, em pouco se assemelha às danças tribais mais comuns. O estudo de Mitchell durante o seu trabalho de campo incidiu sobre uma só equipa de dança Kalela: a tribo Bisa, na cidade de Copperbelt.
Existem diferentes papéis numa equipa de dança, tais como:
- O rei: o administrador, organizador e tesoureiro da equipa, foi eleito pela equipa. Ele está vestido em contraste com os outros e não participa na dança.
- O líder da dança: escreve a letra das canções e faz a coreografia.
- O doutor: vestido com roupas brancas como os representantes da cruz vermelha.
- A enfermeira: a única mulher na equipa, vestida com roupas brancas e anda em volta com um espelho e um lenço onde os intervenientes podem ver se estão limpos e bem apresentados. (Actualmente existem tantas mulheres quanto homens na dança Kalela)
- Os dançarinos e os percursionistas.
O grupo estudado era assim constituído por 19 homens jovens todos com menos de trinta anos sendo na sua maioria solteiros ou com a mulher fora da cidade, com excepção do Rei, que era mais velho e casado (a única mulher que participava nesta cerimónia era sua esposa). Os homens dançavam em torno de três tocadores de tambores estes também apresentando já uma forma relativamente mais ocidental tendo em conta que os tambores originais eram feitos de troncos de arvore e que são hoje constituídos por velhos bidões cobertos de pele de vaca. Enquanto andam em torno dos tambores centrais os homens cantam alternadamente canções.
Neste tipo de dança urbana os membros do grupo usam uma “roupa sofisticada”, tipicamente ocidental, de um estilo europeu clássico simbolicamente correspondendo a altos cargos sociais: os conhecidos colarinhos brancos. A limpeza era também um factor importante: os intervenientes tinham de estar muito bem apresentados e limpos.
A popularidade da dança Kalela deve-se também às canções, atractivas para o resto da população, já que a língua utilizada é uma forma de Bemba, a língua mais usada em Copperbelt, compreendida assim por todos os espectadores. Por outro lado, o conteúdo das letras também tem bastante relevo, pois espelha a diversidade étnica nas situações urbanas, a unidade da dança e o orgulho tribal como é visível através das referências que eles fazem às diferentes tribos e pela ênfase atribuída às qualidades da tribo Bisa.

O autor encontra nesta dança um paradoxo que consiste no facto de, por um lado, a dança ser uma dança tribal em que as diferenças tribais são enfatizadas, por outro lado, a língua e o idioma das canções, bem como a roupa se referirem a uma existência urbana que tende a atenuar essas diferenças tribais.


O MÉTODO

No capítulo introdutório, o autor caracteriza a sua análise do fenómeno da dança Kalela como um meio utilizado para pesquisar o tribalismo e outros tipos de relações sociais existentes entre a população da Rodésia do Norte.
Apresenta o método utilizado por Gluckman, na obra Analysis of a Social Situation in Modern Zululand, afirmando pretender seguir as mesmas linhas no desenvolvimento do seu estudo. O método referido é o método de análise situacional, inserido nas linhas teóricas da escola de Manchester.
As concepções teóricas e estudos da Escola Antropológica de Manchester e mais especificamente do Instituto Rhodes-Livingstone debruçavam-se especialmente a temáticas actuais e localizadas tais como dilemas entre identidades rural e urbana, o urbanismo e seus impactos; estudavam problemas sociais nas colónias inglesas da África central, principalmente durante a década de 1950. Estes estudos foram motivados pelo colonialismo, pela crescente industrialização nesta área e consequentes migrações para os centros urbanos, causa de diversos processos de mudança social.
O método de enfoque situacional, pode ser sintetizado como uma análise antropológica centrada na recolha de observações de acções sociais realizadas pelos actores numa esfera social obtendo conclusões sobre o próprio sistema social, sendo o objectivo, no fundo, compreender como é que o conjunto social funciona através das suas interligações institucionais e estruturais. Compreender como é que o sistema funciona compreendendo o papel dos agentes sociais que constituem esse funcionamento. Consiste, então, em isolar os elementos significativos de determinado fenómeno e analisar, por extensão, o seu contexto social. Ao regressar ao fenómeno de partida, é possível formular um ensaio interpretativo sobre este.
Seguindo esta metodologia o autor propõe-se primeiro a fazer a descrição da cerimónia da dança Kalela, isolando todos os elementos importantes na mesma e reportando esses mesmos elementos para a sociedade a fim de compreender o seu significado na cerimónia: Tomando a dança Kalela como ponto de partida, analisa o significado atribuído pelos actores sociais ao fenómeno (encarando-o como reflexo da estrutura social, nomeadamente o factor do “european way of life” como agente de estratificação social) com o objectivo final de proceder à interpretação do fenómeno, contextualizando-o num meio urbano.
Mas este método não foi o único utilizado por Mitchell. Esta monografia reflecte a utilização de uma metodologia pluridisciplinar, assente em dados não só qualitativos (como os provenientes do método situacionista). Apoiou-se também em dados quantitativos, utilizando técnicas de pesquisa provenientes da sociologia e da psicologia social, tais como formulários e inquéritos extensivos, de modo a complementar o seu estudo. Também se baseou no método de documentação estatística por documentação concreta que nos foi pela primeira vez apresentado por Malinowsky na sua obra “os Argonautas do pacífico Oeste”, onde esta etapa metodológica era parte englobante e necessária do método etnográfico. Neste sentido são-nos apresentados alguns dos elementos da sua observação e recolha sob a forma de tabelas que quando interpretadas e conciliadas com uma análise mais aprofundada sobre a realidade concreta culminam num todo altamente rico devido essencialmente à sua constituição bimodal compreendendo elementos essencialmente quantitativos com elementos qualitativos.
Para um conhecimento mais aprofundado da dança, utiliza informantes (dos quais não adianta muitas informações) que o esclarecem quanto à origem histórica da dança. Apoia-se também em recursos a materiais históricos. É notório um conhecimento da língua e a sua importância reconhecida na etnografia: o autor procede à tradução de algumas das músicas, mantendo sempre a consciência de que a tradução nunca será absoluta, o que reflecte grande preocupação quanto ao relativismo de conceitos.
Todo o estudo partiu de um grupo restrito de população: o autor observou e conduziu o seu estudo a partir de uma das equipas da dança Kalela, a equipa Bisa, formada quase exclusivamente por membros desta tribo. Considerou este grupo como representativo dos outros grupos de dança.


Interpretação dos dados

O urbanismo

Devido ao aparecimento do urbanismo os vários membros das diversas tribos, viram-se obrigados devido a uma migração para o centro comum, a conviver lado a lado com homens que dantes eram tidos como rivais. Neste contexto urbanita notamos um reformular das próprias relações sociais para as quais a noção de individualismo veio a contribuir para uma reestruturação da relação tribal tradicional o que leva a crer que inevitavelmente, ao longo dos anos por tanto terem de ser obrigados a enfrentar, comunicar e mesmo cooperar com o inimigo ancestral estas rivalidades étnicas acabem por se esbater. Exemplos disso são dois casos descritos pelo autor: um casal que se conheceu e casou em Coperbelt veio a saber mais tarde quando retornou ao meio tradicional que haveria cometido incesto tribal. Por aqui verificamos no meio urbano um esbater das normas e preceitos mas tradicionais e comunitários. O outro caso tratou-se de um funeral que contrariamente ao que mandava a tradição foi financiado não pela tribo da senhora que morreu tendo na verdade sido pago por uma tribo amiga da do seu marido. As adaptações do tradicional ao urbano são mais que evidentes.

Novas relações, novos comportamentos

Facilmente constatamos na obra as transformações do modo de vida rural e de que as relações dos indivíduos a nível domestico foram diminuídas em detrimento de uma nova esfera de relações que na cidade se prendem mais com a solidariedade étnica. Agora por exemplo a figura do grande chefe tribal que no meio tradicional detinha o poder mais ou menos supremo sobre o clã fica reduzida a pequenas funções como a resolução de pequenos conflitos inter-tribais e normas tribais. No meio urbano os verdadeiros papéis de prestígio e estatuto hierárquico elevado pertencem a homens europeus. Verificam-se também transformações nas manifestações culturais tradicionais como a musica, a dança, a família, a vida doméstica, a vizinhança e a própria relação com a etnicidade em relação ao que as pessoas possuíam antes de virem para a cidade. É de salientar que nenhuma forma ou manifestação cultural tradicional entra pura em Copperbelt como em qualquer meio urbanita pois o próprio processo de globalização traz consigo uma força que não subjuga mas potencializa uma recriação da cultura com uma readaptação ao novo sistema organizativo urbano com as suas bases na afirmação do individualismo e de valores como o capitalismo e o consumismo aos quais é impossível ficar-se indiferente.
Verifica-se através destas manifestações não uma abolição da cultura inicial mas uma transformação, uma recriação e uma continuidade processada por um princípio de reciclagem da velha cultura na sua adaptação a novas formas de vida.

Tribalismo

O objectivo da dança é entre outros expressar a união da tribo bisa contra as outras tribos o que é visível não só pela constituição de carácter tribal do grupo como pelas próprias letras das canções.
O autor faz a distinção entre estrutura social e tribalismo sendo que o primeiro conceito prende-se com um o esqueleto organizacional de cada elemento no seu clã e o segundo um conceito relacional não fixado em nenhum actor ou grupo social em particular. O tribalismo afirma-se no meio urbano de diversas formas encontrando na Kalela um modo muito particular.
Na dança da Kalela, todos os membros ignoram as diferenças internas com o intuito de se mostrarem unidos como um grupo e como uma tribo através de exaltações ás suas qualidades enquanto tribo e á sua união e coesão intra-tribal.
Esta situação aparecia já na obra de Evans Pritchard “Os Nuer” onde consoante a situação era criado um fenómeno de agregação entre grupos que podiam à partida ser rivais para mostrar a sua força contra outros grupos. A pouco e pouco, a vinda de pessoas de várias zonas circundantes para o centro originou um conjunto social inter-tribal. Vindas muitas vezes sozinhas as pessoas numa tentativa de se identificarem e integrarem neste novo mundo procuram unir-se a pessoas que pelas mais diversas características quer de imagem quer de ideologias e princípios com as quais se possam identificar minimamente. O expoente máximo dessa identificação é feito quando as migrantes encontram no centro pessoas da sua tribo ou de tribos vizinhas ou com quem originalmente a sua tribo mantinha boas relações.
A Kalela enquanto jogo apaziguador

O autor faz a localização espacio-temporal destes eventos e a descrição breve das pessoas que assistem. As danças acontecem normalmente ao fim de semana e é raro ver uma pessoa branca assistir ás danças. São por norma pessoas negras de várias tribos que assistem e aproveitam o momento para conviver e confraternizar. As pessoas vão assistir especialmente porque gostam de ouvir os tambores e de ouvir as canções que no caso dão Grupo de bisa são cantadas em Bemba, uma das línguas mais faladas de Copperbelt.
Os cantores e dançarinos da Kalela fazem-se valer da “piada” ou da brincadeira jocosa acerca de pessoas de outras tribos para apaziguar um pouco os conflitos inter-tribais de quem tem de partilhar o mesmo espaço e que tem de se sujeitar muitas vezes a situações estranhas à sua forma de vida natural devido a todo este mosaico cultural. É sabido que as pessoas a quem são dirigidas essas piadas as aceitam de bom grado e ripostam. Muitas vezes esses jogos de palavras remetem-se para os nomes originais das suas tribos; se a tribo do crocodilo diz ao peixe: “eu sou um crocodilo e como peixe” o da tribo peixe ripostará com algo do género: “eu sou tão importante que sem mim não podes viver”. Este tipo de brincadeiras vocabulares não é de forma alguma inédito estando presente a todo o momento mesmo num território muito mais unificado como Portugal onde as pessoas do sul inventam jogos semelhantes para gozar com os do norte fazendo os do norte o mesmo para gozar com os do sul. Esta ideia de pseudo ofensa frásica encontra-se igualmente entre os membros adeptos de equipas e futebol rivais bem como em muitas outras situações. Esta é uma simples forma de convivência que permite expressar por palavras aquilo que sem elas poderia ser catastroficamente expresso em actos violentos.
Os temas das canções são muito centralizados em algumas temáticas principais, uma deles é o urbanismo. Referem-se igualmente a alguns grupos étnicos da população urbana e ás diferenças entre eles dando a perceber a consciência dos indivíduos acerca da grande variedade étnica existente neste meio. Outro tema também tratado nas canções é o adultério. Muitas das canções são dedicadas ás mulheres tendo em conta que os jovens são solteiros.


A etnicidade e o conflito social

A etnicidade é neste trabalho a expressão de uma hierarquia vertical onde uma classe ou estirpe dominadora económica e politicamente tenta manter-se e prosperar impedindo a evolução da casta dita subordinada através de uma separação feita com base em elementos aparentemente evidentes como a língua, a forma de vestir, religião entre outros que são na sua essência marcas de uma etnicidade que quem domina pretende evitar ao seu lado na partilha do poder. Este factor é visto na dança da Kalela através da crítica explícita que é feita na forma como se apresentam os dançarinos ou seja, a sua forma de vestir totalmente ocidentalizada está longe de ser inocente. A personagem do médico é ainda mais reveladora no sentido em que este representa um cargo alto que só muito dificilmente é permitido a algum negro africano alcançar, pelo menos nas colónias inglesas. Esta é assim uma óbvia manifestação de discórdia e desagrado expressa de uma forma animada e acessível acerca do sistema de prestígio que vigora numa terra da qual quem domina tem apenas o poder económico mas nenhum poder no sentido ético da pertença.
A Kalela dance é essencialmente, a par do seu carácter tribalista, uma espécie de resistência simbólica contra determinadas práticas coloniais que discriminavam o indivíduo africano tribal considerando-o muitas vezes um indivíduo emprestado da “selva” para o trabalho e desenvolvimento da metrópole. Estes acontecimentos davam-se não só no colonialismo inglês como também no português do qual Oliveira Martins, um dos primeiros teorizadores portugueses do “darwinismo social” que nos deixa escrita uma ideia corrente na época no seu livro “ o Brasil e as colónias portuguesas”: “sempre o preto produziu em todos esta impressão: é uma criança adulta. A precocidade, a mobilidade, a agudeza própria das crianças não lhe falta; mas essas qualidades infantis não se transformam em faculdades intelectuais superiores, resta educa-los, dizer, desenvolver e germinar a semente.” Só podemos obviamente enquadrar teorias e expressões como esta num exímio eufemismo da real relação Africo-Europeia que teve e tem continuado a ter repercussões históricas e sociais.

Etnicidade - Vários autores

Max Weber = etnias são grupos humanos que se apoiam na sua crença subjectiva, numa descendência comum baseada em similitudes de tipo disico ou de costumes ou em ambas ou devido a memórias comuns de emigração ou colonização.

O tema da etnicidade teve início nos anos 70 com Barth e Cohen embora a sociologia já se ocupasse do tema. No entanto os antropólogos já estudavam as tribos que são no fundo grupos étnicos. “Os Nuer têm descendência comum, similaridades físicas e tradição comum que os diferencia dos outros”.Acontece que não havia etnias porque esses grupos eram estudados segundo o paradigma tribal.

Paradigma tribal – unidades culturais cuja cultura é vista como:
· Conjunto de traços objectivos observados de fora
· Algo dobrado sobre si mesmo funcionando em regime fechado.

Este paradigma entra em declínio com a descolonização pois a ideia de tribo é considerada politicamente incorrecta devido a conotações negativas. No entanto as tribos mantêm-se e aparece o tribalismo em contextos urbanos. Depois surge a palavra etnia grupo étnico e etnicidade.

Há uma deslocação da terminologia e mudança do paradigma tribal para o paradigma étnico
Questiona-se o paradigma tribal nos anos 60. Questiona-se a visão de fora e a autonomia cultural.

Antropologia EMIC e ETIC.

EMIC – constrói-se um modelo da teoria para a cultura através de um olhar de fora
(fazia parte do paradigma tribal)
ETIC – concepção da cultura que os próprios têm (paradigma étnico).
O que interessa é a forma como os grupos vêm a si próprios e escolhem determinados traços para afirmar a sua diferença (emblemas). O paradigma étnico (emic) absorve a forma como o grupo os que convivem com ele elegem determinadas diferenças para os caracterizar.

Emic é uma versão interaccionista de fazer etnografia, agora, valoriza-se a interacção e abandona-se a visão fechada. Tem a ver com as interacções entre grupos isto a partir dos anos 60.

Barth:
Etnicidade tem a ver com identidade e fronteira:
Há o self ascription e o ascription by others que ajudam a constituir a identidade de um grupo
Certas diferenças à partida pouco importantes são elevadas a emblemas caracterizadores e diferenciadores dos grupos. Constitui-se assim uma teoria do grupo baseada na diferença. Daí a ideia de fronteira ser importantíssima para barth pois é através dela que se demarcam as diferenças e as pertenças
São fronteiras simbólicas, o meu grupo acaba onde começa o outro e os emblemas são demarcadores de fronteira simbólicas.
Etnicidade tem assim a ver com a demarcação de fronteiras significativas.


Barth critica a visão simplista do paradigma tribal enquanto análise da tribo como sistema fechado. Há na afirmação das etnias um processo de inclusão e exclusão da vida social e dos padrões de determinados emblemas e assim a vida social é mantida dentro de determinadas fronteiras.

O grupo étnico é defendido por : unidade de sangue (raça)
- Partilha de praticas e crenças culturais (cultura)
- Tem os mesmos conceitos linguísticos (língua)
- Oposição e reconhecimento pelo outro (sociedade)
a união interna é que cria fronteiras e rejeita o outro. As diferenças étnicas são maioritariamente culturais. Há o self ascription e ascription by others. Do self ascription faz parte a criação de emblemas. Não é só a biologia que marca a diferença mas especialmente os sinais e símbolos que todas as etnias emitem com ao roupa, formas arquitectónicas, forma de vida, religião etc. formando-se assim uma dicotomia entre o nosso e o deles.
Nos sistemas poli-etnicos como a Melanésia apesar das fronteiras existe cooperação (negação da Etic) mas as diferenças são mantida através de estereótipo e praticas.
Quanto à funcionalidade das etnias esta prende-se com a alimentação de tal forma que cada grupo possui um nicho alimentar que tem de defender no entanto podem fornecer e usufruir de serviços dos outros através de funções complementares. Também a demografica de uns afecta os outros devido a diversos factores culturais que também afectam a demografia. Há também formas de casamentos inter-etnicos onde começa a assimilação de uns grupos por outros e acaba por haver hierarquizações.


Cohen
Cohen enfatiza a política e o instrumentalismo para justificar a existência de etnias. A etnicidade pode ser encarada como um grupo informal de interesses usada para fortalecer o grupo e buscar vantagens para o mesmo o que tem a ver com a disputa de recursos. Apesar de criticar barth a politica está ligada com a identidade a hierarquia o que acaba por complementar a teoria de barth. Só nos anos 90 se desenvolve a etnicidade que passa primeiro para o tradicional e depois para o ocidental. Mantêm-se muito interesse nos contextos coloniais primeiro no 3 mundo depois estende-se ao primeiro mundo.
As tribos começam a integrar-se em estados passando a chamar-se grupos étnicos. Estes são um colectivo de pessoas que partilha normas e comportamentos interagindo com pessoas de outros grupos dentro do sistema social. a etnicidade tem a ver com o reconhecimento dos outros e por vezes constroem-se símbolos para representar as etnias. A etnicidade serve +ara se afirmarem as diferenças e é uma categoriza de iteração operando em sistemas sociais comuns. Desta forma etnicidade é algo que também existe nas cidades (Clyde Mitchell + Gluckman). Critica barth pois este tenta justificar a etnicidade como categoria básica da identificação (quase inato).
A etnicidade deve-se sempre à luta por recursos espaços daí que seja algo muito politizado.
Alguns grupos conseguem unir-se economicamente outros não. Há grupos formais (com unidade politica) e informais (sem unidade politica possuindo sempre algo que os une). Se numa cidade um grupo de migrantes continua a manter os seus costumes s significa que a sua etnicidade é muito forte.
Cohen nega o conservadorismo e a abordagem fechada.

Eriksen

Etnicidade tem a ver com a classificação de pessoas e relações de grupos. A raça é uma crença cultural mais que uma verdade genética à qual associamos um conjunto de ideias que constituem o estereótipo do outro.

Etnicidade identificação do nós
Raça – categorização dos outros

Distinção:
a raça pode ou não ser importante para as relações de etnicidade mas não é decisiva para justificar a etnicidade.
A classe social não justifica a etnia no entanto por vezes pode estar associada.

Motivos para a vulgarização da temática da etnicidade a partir dos anos 60
ü Mudança social (descolonização)
ü Mudança na forma de pensar a antropologia (Etic Emic)
Tribo remete para análises fechada, etnia remete para análise de relações com o interacionismo.

Etnia é uma categoria Emic de “ascription”— o indivíduo identifica-se com as praticas e crenças do grupo sentindo que é parte dele.
Para haver etnicidade é indispensável o relacionamento entre grupos pois esta só se afirma desta forma através da distinção e diferenciação.

Áreas de estudo étnico
ü Minorias étnicas urbanas
ü Populações indígenas e aborígenes
ü Proto-nações
ü Grupos étnicos em sociedades plurais.

Antes dos 90 estuda-se a etnicidade desde o sítio de origem, depois estuda-se no sítio de chegada. Desta forma sabemos que as migrações favorecem a etnicidade.

Anos 20 até 60 desenvolve-se a teoria assimilacionista para explicar a relação entre as pessoas migrantes e comunidade acolhedora. “straight line theory” segundo a qual os migrantes de 1ª geração tem etnicidade mas esta é episódica e a 2ª geração conduz ao desaparecimento da mesma estabilizando na 3ª geração. Estas eram no entanto migrações de brancos, irlandeses e italianos para os estados unidos. Havia assim uma linearidade na teoria assimilacionista. Assimilacionista: valoriza a assimilação em detrimento da etnicidade.
A partir dos anos 60 começam migrações de Mais cores e passam a haver mais desfechos possíveis. Muitas vezes a língua e muitos traços culturais perdem-se mas os grupos étnicos são ainda reconhecíveis (judeus, irlandeses) podendo alinda falar-se de etnicidade na 2ª 3ª e 4ª gerações.

Modos de expressão da etnicidade
· Categorização
· Diferenças tendenciais (padrões de voto, regras sexuais)
· Interesses informais (comercio étnico)

Com base nestes indícios podemos falar de etnicidade. Cada grupo tem uma relacção particular com s aociedade de acolhimento.

Formas intermédias de etnicidade

Hubert Gans – “simbolic etnicity”
Etnicidade simbólica apesar de a maioria dos traços étnicos se perder nas primeiras gerações há pormenores que se mantêm e que são os mais simbólicos:

Etnicidade simbólica:
· Aquela que não exige ligação a movimentos ou a grupo étnicos
· Reflecte-se em pormenores do dia a dia (ir à missa, fazer filhozes)
· Não é uma cultura praticada, apenas simbólica.

Walzer
As pessoas podem ser assimiladas mas manter contacto com a cultura de origem através da etnicidade simbólica

Luso- americano
- +
+ -
São uma identidade intermédia

Alejandro Portes
Há duas situações:
· A importância da etnicidade
· A importância da assimilação

Há a etnicidade linear – é a de 1ª geração onde se procura manter a cultura de origem
Etnicidade reactiva – a partir da 2ª geração quando há uma tendência para a integração mas quando percebem que são marginalizados reagem fortalecendo o seu próprio grupo (falha do american dream).

Há vários tipos de assimilação, não apenas a linear.
· Assimilação descendente – acontece com grupos de cor, caribenhos e afroa americanos, no inicio reagem á discriminação e asismilama cultura do guetto usandoo hip hop e certos comportamentos criminosos.
· Assimilação ascendente mais etnicidade – ocupam um bom nicho económico.

Portes, Alejandro

Em portes encontramos a ideia de que afinal a assimilação nem sempre é linear, mas segmentada. A assimilação nem sempre é feita a partir da assimilação não social e do progresso ascendente pode também desembocar numa assimilação negativa. Os haitianos e Miami tendem na primeira geração a ter uma identidade nacional forte redes de solidariedade comunitária e redes sociais, no entanto são altamente discriminados na escola e não sabem se hão de seguir o caminho da resignação ou da revolta. Os sihks por seu lado apesar da forte discriminação obtém altos resultados na escola o que se prende com a educação em casa. Desta forma portes questiona o modelo cultural dominante da absorção linear dos grupos de imigrantes. A assimilação é agora entendida como segmentada.
· Aculturação tradicional progressiva
· Assimilação à subclasse de pobreza permanente (assimilação descendente)
· Preservação da mobilidade económica com a ajuda da comunidade

O que causará cada uma das instancias desta assimilação segmentada?

Tem a ver com os recursos e as competências dos indivíduos, com conceitualizações morais e estereotipadas.
Por vezes nas cidades formam-se bairros degradados e guetos que funcionam como depósitos de filhos e netos de imigrantes.
A assimilação reactiva é muitas vezes consequência da reacção à discriminação e aqueles que conseguem um tipo de assimilação mais economicamente positivo são considerados traidores da comunidade e acusados de quererem ser brancos.
Há assim em muitas comunidades emigrantes o nivelamento descendente

A assimilação descendente ocorre quando:
· Quando há contacto com as minorias de imigrantes com excluídos sociais
· Quanto maiores forem os recursos cujo o acesso depende da conformidade com as normas dominantes

O caso dos estudantes mexicanos é um bom exemplo, enquanto os de primeira geração eram dóceis os de segunda e terceira gerações já tinham sido expostos à discriminação e tinham procedido a uma assimilação reactiva encontrando-se agora como fazendo parte da norma niveladora descendente vivendo no dilema entre o “chicano” e ser bem sucedido na escola por agir como o branco. O comportamento adverso protege-nos da discriminação mas simultaneamente atrasa as suas oportunidades ascendentes. Os mexicanos não cumprem as regras escolares, “aprendem a não aprender”

Os emigrantes tendem a unir-se devido a:
· Memoria cultural comum e identificação conjunta
(gera etnicidade linear)


· Emergência de um sentimento de solidariedade devido a descriminação conjunta
(gera etnicidade reactiva)

Estes processos geram ambos comunidades étnicas que em algumas situações através da ocupação de um nicho de mercado ou de desenvolvimento de indústrias étnicas conseguem uma assimilação ascendente.

Quantos mais densas forem as redes sociais maiores são as possibilidades de uma assimilação ascendente e verifica-se que a maior vantagem está nos laços fracos:
ü Raio de acção mais amplo
ü Natureza mais instrumental
ü Não redundância informativa

Assim as redes não redundantes são as melhores pois proporcionam mais oportunidades de êxito.
Sabemos que os pais que conseguem estabelecer plenitude institucional (cubanos e vietnamitas) conseguem proporcionar aos filhos melhores hipóteses de assimilação ascendente devido à menor discriminação a que estão sujeitos e a um maior apoio dentro do grupo étnico. Assim o que interessa não é o carácter do indivíduo mas o carácter da comunidade.









De facto o modelo não é linear E depende da natureza das relações que os grupos migratórios establecem com as sociedades de acolhimento que possibilita um desfecho múltiplo.


2 formas de Etnicidade forte
· Persistência da etnicidade acompanhada de mobilidade ascendente
· Etnicidade reactica e assimilação descendente

2 Formas de etnicidade intermédia
· Identidades hifenizadas
· Identidades simbolicas

Ideias importantes:
Todos os autores concordam que os desfechos das migrações étnicas podem ter
Há tendências de grupos que vigoram mais que outras e isto pode estar relacionado com:
· Decisões estaduais sobre politicas multiculturais ou
· Pode ter a ver com a corvários desfechos
O tempo é um factor muito importante (tempo entre gerações)



Globalização - varios autores

Globallização é : Um conjunto de processos de intensificação dramática dos movimentos de capitais, mercadoria, ideias, cultura e pessoas à escala planetária e das relações e articulações e dependências que por seu intermédio se forma entre os indivíduos e a sociedade.
Instancias
· Económica
· Politica
· Cultural
3 Palavras-chave
· Fluxo
· Fronteira
· Interdependência

Fenómeno social total

· Económica afecta directamente as pessoas Desemprego no ocidente, outsourcing
· Politica põe em causa poderes tradicionais (UE)
· Cultural tem três níveis

1- Sistemas de ideias -igualdade entre homens e mulheres
-casamento monogâmico
- Supremo valor da vida
-felicidade ligada ao consumo

2- Domínio da religião -difusão religiosa, papa jp II, IURD
3- mass madia -Holiwood, mac donalds, industria cultural , moda

As permeabilidades de cada povo a cada uma das instancias variam:
Japoneses são abertos a tecnologia mas pouco abertos a aspectos culturais.
EUA são abertos a pessoas mas pouco abertos a novas ideologias politicas.


David Harvey- Compressão do tempo e dos espaço como condição da pos-modernidade

ü different senses of time;
ü I use the word 'compression' because spatial barriers that the world sometimes seems to collapse inwards upon us"

Anthony guiddens- há dois tipos de relações : Face a face (pré-moderno) + relações sociais á distancia (pos-moderno)

AS RELAÇÕES DE ASSIMETRIA DA GLOBALIZAÇÃO

Existe um centro e uma periferia classificados respectivamente pelo seu grau de influência um no outro. Acontece que também dentro das periferias há centros.
Brasil = América latina
EUA - ocidente/mundo
Japão oriente
ZONAS DE DEBATE

Quão recente é a globalização
Quais os aspectos negativos e positivos?

Três posições
· Cépticos
· Evolucionistas
· Hiperglobalizadores
A globalização não é fenómeno novo, apenas acentuação
É algo novo
É algo novíssimo e inédito, é o não lugar

Para os evolucionistas houveram dois acontecimentos que despoletaram a globalização
ü Sec 16 com a expansão europeia
ü Sec 19 com o imperialismo tecnológico a partir do fordismo em busca de novos mercados.
ü Os responsáveis são basicamente a baixa nos preços dos transportes bem como o liberalismo económico.

A própria antropologia é fruto da globalização pois começou com o colonialismo
Dantes não estudava mas hoje é a antropologia que mais se interessa pelo tema

Temas preferidos
ü Dimensão cultural da globalização
ü Estrutura contemporânea da diversidade cultural
ü Ponto de vista etnográfico

CONSEQUENCIAS DA GLOBALIZAÇÃO

· Dissociação entre cultura e território
· Desterritorializaação / reterritorialização

GRANDE ZONA DE DEBATE

Homogeneização VS diversidade cultural

Defensores da homogeneização:
· Os mais fortes aniquilam os mais fracos
· Já desapareceram algumas línguas e religiões


Defensores da diversidade cultural apesar da globalização
(posição privilegiada pelos antropólogos)
· Reapropriação (Dallas)
· Recriação
· Negação do processo passivo
· Bricolage com cultura
Há resistência cultural e por vezes politica

Apadurai- dantes havia uma oposição entre potencias e localidades que defendiam as suas culturas e economias, agora há mais uma hibridização das culturas através de sobreposições e contactos entre periferias .


Inda Xavier e Renato Rosaldo

A globalização é a mistura dos mundos através de contactos e ligações que possibilitam a interacção e as trocas de pessoas bens e ideias através de fronteiras muito permeáveis. A própria globalização enquanto mistura de culturas gera um produto novo
A globalização é consequência de uma diminuição das distâncias que gera ao mesmo tempo um aumento do espaço possível de alcançar. Apesar de todas as facilidades nem toda a gente tem a mesma mobilidade e sofre da mesma forma o impacto da globalização.
Há três dimensões de impacto da globalização, a económica, a politica e a cultural. A globalização já não é só o aumento dos contactos entre as pessoas e sociedades ela implica também uma reorganização do tempo e dos espaço. A distância encolheu e o nosso espaço de acesso é maior e tem influencia mais alargada. Tudo começou basicamente com dois grandes marcos históricos que formaram até hoje as duas fazes da globalização, uma pertencente ao sec 16 e correspondendo aos descobrimentos e à colonização e uma segunda fase durante o sec 19 despoletada pelo desenvolvimento tecnológico, pelo fordismo e muito em particular pelo interesse na busca de novos mercados para os produtivos. Assim podemos concluir que foram razões económicas que despoletaram a globalização. Anthony Giddens salienta uma das mudanças fulcrais que considera determinantes para podermos falar de globalização. Para Giddens há dois tipos de relações uma relação do tipo face a face característica das sociedades pré-modernas e outra que é o encontro remoto este possibilitado pelo desenvolvimento da tecnologia e como tal característico das sociedades pos-modernas. Assim para Giddens a globalização deve-se a um incrível incremento deste ultimo tipo de relação à distância que teve como consequência a já referida por David Harvey compressão espaço-tempo.
A globalização gerou também um aumento da interdependência entre pessoas e sociedades, de tal forma que uma decisão tomada num local poderá ter fortes impactos num local completamente longínquo do mundo entre este tipo de acontecimentos encontramos o crescente fenómeno da deslocalização ou do “outsorcing” bem como o fenómeno da bolsa.
Antes do fenómeno da globalização uma cultura estava sempre ligada a um território fixo (à excepção dos ciganos). Nos dias de hoje verificamos que o abandono parcial de um território não significa o fim de uma cultura mas sim um relocalização da mesma cultura noutro local. Assistimos assim a um fenómeno de desterritorialização e reterritoriaçlização que na maioria das vezes se deve a um abandono do local de origem devido a motivos económicos e políticos que só é possível mais uma vez devido à acessibilidade crescente que se tem verificado a nível dos transportes e comunicações. Este fenómeno de facilidade de deslocação estar. a bastante visível através das comunidades transnacionais

TEORIA DA UNIFORMIZAÇÃO CULTURAL VERSUS DIVERSIDADE CULTURAL

Uniformização cultural: duas vias

Económico politica após a 2ª guerra mundial os EUA ganharam hegemonia económica e consecutivamente politica.
Cultural todo o mundo conhece a cultura ocidental (hegemonia) que nos sugere cada vez mais uma monocultura global.

Diversidade cultural

ü As pessoas não são receptáculos passivos da cultura são sim interpretativos
ü As pessoas recriam a cultura (Dallas)
ü É mentira que seja só o centro a falar e a periferia a ouvir, a periferia também se faz ouvir no centro
ü Os países do centro com a imigração acabam por adquirir traços culturais da periferia, já não tem uma cultura pura.

Há uma constante recriação das culturas

Conclui-se então que não há só homogeneização mas também heterogenização pois o ocidente está cada vez mais heterogéneo.

A globalização trouxe o EST ao REST e o REST ao EST**

A globalização não é unidireccional de domínio imperialista segundo a maioria dos antropólogos é sim um projecto global.

ULF HANNERZ

É cada vez mais difícil ver o mundo como um mosaico de varias peças separadas uma vez que com o fenómeno da globalização fez aumentar as conexões intercontinentais e aquilo a que normalmente chamamos de cultura são cada vez mais sub culturas dentro de uma entidade maior. A globalização tem sido muitas vezes entendida como um fenómeno assimétrico entre o centro e a periferia. O centro é determinado por supremacia económica no entanto também existe produção cultural na periferia no entanto as relações entre o centro e a periferia são estabelecidas com intuitos económicos. A França e Inglaterra são mais ricas em valores culturais do que em valores económicos ou políticos (a língua também é uma manifestação cultural). Há países mais permeáveis que outros a diferentes tipos de “mercadorias”, uns são mais permeáveis a pessoas outros mais permeáveis a bens. Os EUA são mais permeáveis a pessoas que o Japão estes tem uma cultura mais restrita do que de difusão ao contrario que os norte americanos. A França por exemplo é exportadora de valores como a comida e a moda, o Vaticano exporta religião.
Acontece que é a difusão tecnológica e económica que trás consigo o poder. No entanto também há centros de poder no terceiro mundo e que a periferia também fala mas sob a forma de arte, religião e misticismo.

2 VISÕES
· As relações entre o centro e a periferia conduzirão ao desaparecimento das diferenças culturais.
· O sistema mundo é naturalmente uma fonte de variedade e diversidade cultural e as diferenças culturais não são vestigiais.

O transnacionalismo é um importante canal para o fluxo de ideias produtos e pessoas.
Fala-nos do caso nigeriano e de que as novas gerações já procuram estudar (segundo o modelo ocidental) indo para o centro. Há um fluxo assimétrico de globalização cultural e as instituições da periferia começam a ser construídas á imagem das do centro rumo à estandardização. Assim o centro coloniza a mente da periferia através das suas formas de fazer que não deixam por vezes alternativa: (monopólio). A colonização cultural é feita através de mensagens apelativas da publicidade e as comunidades periféricas não conseguem ser competitivas no mercado. Podem no entanto criar nichos de mercado particulares aproveitando recursos exclusivos da sua cultura como a sensibilidade, a musicalidade etc.
Assim, na fase inicial o centro coloniza a periferia mas no fim o fluxo torna-se bilateral. A invasão pelo centro costuma ser vista como destruidora da pureza cultural mas o uso de materiais vindos do centro é feito de acordo com as necessidades pragmáticas da periferia: (sapatos de sola de pneu). A sua recriação daquilo que é importado do centro pode ser reinterpretada em tom de gozo (importação de séries mais baratas). A linguagem gestual pode ser mal interpretada daí que possa existir a duvida até que ponto eles consomem o simbolismo do centro.
A cultura importada não é deletérica pois não elimina a anterior.
(acaba sempre por ser recreativa esta mistura cultural uma vez que Wole Soynka, nigeriano recebeu premio nobel da literatura produto da adopção de padrões culturais ocidentais com a recriação dentro da sua cultura). Os média permitem a globalização pela neutralização do espaço e diminuição do tempo. Há em todo o mundo um movimento de back and forth .
Há países com tradição migratória (diásporas) mas nem todas as pessoas querem ser assimiladas pela outra cultura não querendo ser cosmopolita = pessoa com capacidade de relação com duas culturas. Gostam de utilizar numa cultura o que aprendem na outra por vezes tornam-se marginais. Apesar dos intelectuais do centro defenderem os valores culturais da periferia não são muito reconhecidos pelos dos centro.

2 Tipos de provincianismo.
· De abertura (os que querem responder ao centro)
· De fechamento (os que rejeitam o contacto para manter a tradição)
Por vezes no mesmo local coexistem as duas ideias (bretões)
Na segunda parte do sec 20 há um despoletar destas inter relações inédito na história onde cada relação depende das assimetrias culturais politicas e económicas. Todo o influxo deixa marcas na cultura. Nasce o conceito de sociedades plurais.
A periferia de hoje pode ser o centro de amanhã!

Jonathan Friedman-
Tanto a fragmentação étnica como a homogeneização moderna fazem parte da globalização. A cultura permite definir os contornos de um espaço e identificação específico e a própria modernidade e mercado de consumo tenta responder a esta necessidade de individuação e identificação. Os objectos contem em si valor simbólico que as pessoas querem usar para alcançar estatuto e poder. Imigrantes do Congo vão para França e depois regressam com estes ícones acabando por ter influência na organização social. São estes cosmopolitas que trazem novos valores para a periferia acabando por também criar nas periferias necessidades que originalmente não existiam lá nomeadamente no que respeita á roupa e na etiqueta: (falar na Kalela Dance). Desta forma o ideal consumista ocidental espalha-se a todo o mundo. Por vezes as minorias étnicas sem estatuto são obrigadas a englobar a sociedade maior e mais desenvolvida. (fala dos ainu) os Ainu apesar de terem acabado por morar em casas japonesas mantêm muitos dos traços culturais dos seus antepassados e fazem questão da preservação da língua e cultura que ensinam em escolas especiais Ainu. Para além disso fabricam artesanato que vendem à população japonesa. Assim a produção turística passou a ser a principal forma de vida dos ainu na contribuição para o redefinir da sua identidade. Os turistas interessam-se muito por esta cultura o que demonstra que cada vez mais à uma busca por mercadoria cultural. Os havaianos sentiram por seu lado a necessidade de afirmar a sua cultura devido a estarem a ser invadidos por outros.

Temos a demonstração de duas tendências: ainu tendem para o tradicionalismo, congoleses tendem para o modernismo já enunciados por inda e rosaldo.
2 Tipos de provincianismo.
· De abertura (os que querem responder ao centro)
· De fechamento (os que rejeitam o contacto para manter a tradição)
O que tem a ver sobretudo com as articulações entre o centro e a periferia, tem a ver com a sua emergência histórica.
Conclusão: verifica-se que nos últimos anos tem havido uma generalização massiva da identificação e organização social através do consumo o que fez com que este aumentasse e com ele a produção.

Transnacionalidade - varios autores

A etnicidade é um doas conceitos chave para trabalhar migrações mas a partir dos anos 90 nasce outra entrada que é a Transnacionalidade.
Transnacionalidade articula-se com a Globalização. E é uma importante chave para falar da desterritorialização e reterritoriaçlização sendo uma das evidências mais claras da dissociação entre cultura e território.

Transnacionalidade é evidencia de
· Globalização
· Desterritorialização e reterritorialziação
· Dissociação entre cultura e território

Linda Basch, glick shiller, szanton Blanc procuram fazer:
· Definição genérica de transnacionalismo
· Condições de emergência da Transnacionalidade
· Domínios fundamentais de Transnacionalidade

Definição genérica de transnacionalismo
· A maneira como os imigrantes possuem identidades mistas
· O seu envolvimento é forte com as duas nações
· Para estes autores os imigrantes têm dupla nacionalidade
· Têm parentes e amigos nos dois contextos
· Têm dupla fidelidade

Condições de emergência da Transnacionalidade

· Está ligado a uma fase determinada do capitalismo global
· Mobilidade de mão-de-obra
· O liberalismo económico
· As pessoas imigram por necessidade
· Tem mais a ver com a globalização e o sistema económico.

Domínios fundamentais de Transnacionalidade

· Económico. (transnacional típico é homem de negócios de comercio étnico ou de industria)
· Social (a mãe está em Bóston e acompanha os estudos dos filhos noutro local)
· Politico (esforços organizativos para manter paroquia, petições)

Levitt

Para se falar de comunidade transnacional tem de haver relação preferencial para as migrações a partir daqui forma-se um pólo de imigração e uma terra de origem.
Levitt fala de conceito de comunidade Transnacionalidade e Transnacionalidade e terra de origem

Para ser membro de uma comunidade Transnacionalidade é necessário:
· Não é preciso ser migrante basta estar em contacto e receber remessas ou através de influencia indirecta.
· Há remessas sociais e a influência dos imigrantes na forma de vida através da divulgação de objectos e valores (divorcio, democracia)
· Importância das organizações que atravessam fronteiras como as igrejas ou partidos políticos (falar do caso macedónio).
O transnacionalismo não tem só a ver com os migrantes mas também com a sociedade de origem.

Traços de concordância:

O carácter recente do transnacionalismo é estudado através dos processos migratórios e ser migrante é ser transnacional para todas as autoras

Não falam da etnicidade para Levitt é quase como se não existisse, para as outras é uma área muito armadilhada.

1. Os dois textos anteriores “pegy levitt e bacsh” defendem o carácter recente da Transnacionalidade no sentido em que esta se articula com a globalização
2. a ligação entre Transnacionalidade e migrações é estruturante (levitt)
3. A ligação entre a Transnacionalidade e a etnicidade

Nancy Foner
Põe em questão o quão novo é o transnacionalismo, acredita que já é antigo desde o inicio do sec passado com as migrações para os estados unidos, já antes haviam contactos e remessas e o lucro estava ligado com um projecto de regresso o que intensificava os contactos.

As diferenças entre o antigo e o moderno transnacionalismo
ü Contactos mais frequentes devido ás novas tecnologias
ü Moldura jurídica que facilita negócios e transacções
ü Invenção da dupla cidadania

O que mudou no fundo foram os códigos que permitem a intensificação do transnacionalismo. Quanto ao carácter absolutamente estrutural da ligação entre a Transnacionalidade e migrações contemporâneas afirma que se o transnacionalismo já existiu e a Transnacionalidade que fora deixara de ser então o transnacionalismo não será eterno e haverá um retorno ou uma assimilação, logo não é estruturante das migrações.
Há factores que prejudicam e favorecem na Transnacionalidade dai que os vínculos de diferentes comunidades sejam diferentes.

Tipos de transnacionalismo
· Se o emigrante parte e pretende regressar é mais étnico
· Se pretende ficar as relações transnacionais são mais fracas
· A rejeição de determinada sociedade migratória também aumenta as tendências transaccionarias e dificulta a assimilação

Resumo:
É um debate acerca de saber o quão moderno é o transnacionalismo. Argumenta contra glick shiller e szanton blank que o transnacionalismo não é algo novo, que já desde há 100 anos atrás era praticado pelos migrantes para os estados unidos que de lá estavam em contacto a homeland tanto por carta como por meio de remessas que mandavam. Por vezes também se deslocavam varias vezes de um local para outro. Muitas das vezes as remessas eram para pagar as passagens para a família mas quando havia um plano de regresso normalmente a família guardava as ditas para a posterior construção de uma casa na terra de origem. Assim aqueles que tencionavam voltar eram mais tradicionais. No entanto, a Transnacionalidade tem talvez mais elementos de carácter recente resultantes do desenvolvimento tecnológico que permitiu o encurtar das distâncias com uma maior proximidade através do telefone e do correio electrónico, rádios e televisões. Também a revolução dos transportes e as suas baixas nos preços possibilitam maior mobilidade espacial. Factores legislativos e políticos como a dupla nacionalidade vieram a facilitar a participação activa das pessoas nos dois contextos. Igualmente a assunção dos estados unidos como pais pluri-étnico e multicultural veio a facilitar a constituição de instituições e organizações que lutam pelos direitos de cada uma das diásporas.

O facto de se ser migrante não gera automaticamente transnacionalismo.

O transnacionalismo depende de situações concretas, depende das situações acima referidas.
Desta forma contesta os textos das outras autoras.

Tololyan
Há três zonas de debate
Questiona o vínculo entre migração contemporâneas e Transnacionalidade
As diásporas são ou não homogéneas
A Transnacionalidade e a etnicidade

1. Há a Transnacionalidade com carácter dual
2. Mas há também uma tendência sedentária nas pessoas

As pessoas precisam de criar novos laços e apegar-se ao local de destino. A Transnacionalidade é estruturante mas não muito pois existe uma lógica contrária.

A Transnacionalidade é uma tendência no interior das diásporas
· Há os assimilados
· Há os transnacionais---------------é uma das tendências
· Há os étnicos

A tendência étnica é quando o grupo esta em contacto mesmo que imaginado.

Há a diáspora visível e invisível
· Visível – articulada com os partidos e os media e movimentos.
· Invisível – é a maioria que não se vê.

Transnacionalidade e etnicidade
Os três autores consideram esta relação problemática e privilegiam a Transnacionalidade.

Tololyan fala de etnicidade compreendida em, dias categorias importantes

Transnacionalidade é:
ü Dupla pertença a redes e contextos
ü Ambiguidade estrutural do migrante
ü Recusa à fixação num grupo em detrimento de outro
ü É membro simultâneo de duas sociedades.

Etnicidade:
ü Encapsulamento da identidade num grupo preciso que se pode alimentar de semelhanças reais ou imaginarias com a terra de origem
ü Tentativa de reprodução de tradições da terra de origem
ü Define uma identidade
ü A pessoa pertence a um grupo singular e não bipolarizado como a transnacionalidade

Então há de facto uma relação pois a etnicidade tem como um dos alimentos a transnacionalidade. As pessoas só sentem necessidade de ser étnicas quando estão fora do seu pais mas sobretudo quando trazem ideias e praticas do seu pais de origem que são actualizadas pelo contacto. Numa fase inicial a etnicidade não pode existir sem ser transnacional mas com o tempo a etnicidade autonomiza-se da Transnacionalidade.

Esquematicamente explicamos esta relação:
1. No início a etnicidade é favorecida pela Transnacionalidade
2. O tempo fortalece o grupo étnico e faz diminuir a Transnacionalidade
3. Poderá haver um retorno ou uma completa assimilação.

Esquema final!
1. Transnacionalidade
2. Etnicidade forte
3. Persistência da etnicidade acompanhada de mobilidade ascendente
4. Etnicidade reactiva assimilação descendente
5. Formas de etnicidade intermédia (identidade hifenizada e etnicidade simbólica)
6. Assimilação ascendente clássica
7. Revivalismo étnico.Etnicidade e transnacionalidade não são oppostas existem dentro de vareias tendências possíveis no tempo.

Em Portugal:
Trasnacionalidade – brasileiros e pessoas de leste
Etnicidade fdorte - palops
Mobilidade ascendente – ismaelitas
Etnicidade reactiva - africanos.

Holton Robert - Economia e Sociedade

Cap III
O Liberalismo Económico e a teoria de mercado

O liberalismo económico contém as suas raízes no liberalismo europeu que se desenvolvei nos séculos XVII e XVIII como ideologicamente oposto a instituições monárquicas absolutas, feudalismo e privilégios aristocráticos e religiosos. Com o liberalismo houve a afirmação do indivíduo e a negação da subjugação pois preconizava que todo o indivíduo era inteligente, capaz de raciocinar e de perseguir assim os seus próprios interesses. O objectivo liberalista era o de construir uma sociedade de indivíduos livres e autónomos nas suas escolhas e acções estando desta forma intimamente ligado a questões e eventos sociais como a democratização das instituições politicas e a expansão da liberdade de pensamento com a negação da censura, bem como a instituição de locais de saber educativo e cientifico estando sempre mais ligado à expansão económica através do individualismo económico e liberdade de mercado.
A afirmação do liberalismo económico e dos seus ideais foi especialmente afirmada com a revolução francesa e a revolução inglesa. No entanto, historicamente, mesmo após todas as conquistas deste novo modo de organização social económica e política, momentos houve em que o referido liberalismo fez alianças convenientes com o conservadorismo e o tradicionalismo. Haviam também diferentes modos de encarar o liberalismo mesmo entre liberalistas pelo que se verificou que apesar das divisas liberalistas afirmarem a racionalidade a todo e qualquer individuo a mulher continuou a viver num papel pouco expressivo e de submissão o que levou mas tarde ao liberalismo Feminista do sec XX.
Fica assim claro que o liberalismo económico surgiu dentro de um movimento maior de liberalismo e que forma hoje em dia uma das suas mais importantes instancias. Existem três tradições para o estudo da economia e da sociedade que são elas a sociologia económica, a economia politica e o liberalismo económico ocupando-se cada uma delas de temáticas relativamente diferenciadas mas sempre dentro de um pressuposto comum.
Os principais componentes do liberalismo económico podem ser definidos por alguns tópicos temáticos como por exemplo a soberania individual, o interesse próprio, a racionalidade, direitos de propriedade privada, mercados auto-regulados e ordem espontânea. A soberania individual representa a liberdade do indivíduo no seu acto final de escolha do seu bem-estar. Consideram que a soberania do indivíduo é uma coisa natural, ou seja parte de um conceito pré-social tendo em conta que o indivíduo já é natural antes de estarem contacto com os outros ou seja, os indivíduos apresentam-se como átomos fechados sobre si. Esta noção de indivíduo foi no entanto foi abandonada por muitos liberalistas económicos uma vez que as acções de cada indivíduo têm impacto sobre os outros.
O interesse próprio é um conceito intimamente ligado à soberania individual. A soberania individual é regida pelo interesse próprio mesmo antes da interacção com os outros com o propósito de um melhor cumprimento dos interesses. Estes interesses são em economia considerados gostos, que da mesma maneira que são expressos acerca de bens alimentares também serão manifestados como preferências à escala económica o que justifica a preferência de contratar homens em vez de mulheres, homens brancos em vez de homens negros. Sempre persistiu a dúvida de onde viria o interesse próprio.
A racionalidade é outro componente da abordagem liberal que defende que o indivíduo sabe sempre o que é melhor para si do que os outros uma vez que ele existe enquanto eu pré-social antes de contactar com os outros. Agir racionalmente não implica uma taxa de sucesso de 100% havendo sempre lugar para o erro e para a mudança de opinião. Pensar racionalmente pode apenas querer dizer que qualquer acção deverá de ter sempre uma boa justificação acerca da melhor estratégia para assegurar o interesse próprio. O liberalismo económico tem em conta que racional é qualquer medida que tenha em conta a obtenção de benefícios com o mínimo de custos conseguindo um equilíbrio entre ambos alcançando uma dimensão instrumental na vida dos indivíduos no campo das trocas mercantis. Assim sendo se ser racional é uma operação calculada as emoções não são racionais entrando em conflito com pressupostos sociológicos nomeadamente de Max Weber. Aqui se salienta que o liberalismo económico não está de algum modo totalmente separado do fenómeno social mas plenamente envolvido nele.
Os direitos da propriedade privada são por excelência o meio pelo qual os indivíduos soberanos asseguram o domínio de recursos económicos que lhes permitem satisfazer as suas necessidades. Este direito privado opõe-se ao direito comunal dos recursos tendo sobre os seus recursos todo o poder. Os direitos de cada individuo referiam-se inicialmente directamente ai trabalho e aos seus frutos. O direito de propriedade deveria de ser comum a todos desde que houvesse terra para todos ideia que só faz sentido em contextos muito particulares. Deste legado liberal nasce a ideia de liberdade associada à posse de terra mas com o crescimento da industrialização o capital é o recurso chave. Os liberalistas económicos mais recentes continuam a afirmar que o direito à propriedade privada permite ao indivíduo usar todo o seu potencial na perseguição de um objectivo enquanto que se a propriedade for comunal isso desencoarja o indivíduo que estarão a perseguir objectivos que não serão os deles. Afirma-se também que com a propriedade comunal há um menor aproveitamento de recursos pois os indivíduos não se sentem defendendo e estimando do que é seu.
A análise do mercado auto-regulado pressupõe segundo Adam Smith que o mercado se regula automaticamente necessitando de muito pouca organização estadual para o suster como se essa regulação se fizesse com a ajuda de uma mão invisível. O mecanismo de auto regulação era chamado “mecanismo de preços” pela sua capacidade de regulamentar e equilibrar a procura e o fornecimento de mercadorias. O mecanismo é por si só um mecanismo de informação e de incentivo tanto a produtores como a consumidores. Se a procura é maior que a oferta os preços tendem a ser altos, se se verifica o contrario os preços tendem a baixar e isto constitui em si um incentivo ora para o produtor ora para o consumidor. O ponto polémico deste pressuposto é o de quando existem monopólios, aí o mecanismo de preços não permite ao consumidor recolher vantagens pois não tem alternativas enquanto os produtores têm total controlo dos preços. Defende-se que o livre mercado fornece incentivos para um melhoramento da eficácia da técnica.
Os grandes teóricos do liberalismo demonstraram ser mais sensíveis ao aspecto social da economia que os profissionais da própria economia. Considera-se que o mercado auto-regulado se mantém unido não através de um planeamento mas resultante de um efeito gerador de ordem causado pelos indivíduos em preocupados com o interesse próprio. Há no entanto que ter em conta o peso de instituições como o governo e a moralidade nesta teoria da auto-regulação. O laisez-faire absoluto é desta forma impossível. Smith procurava nos governos um apoio para a economia de mercado nomeadamente através de defesa nacional e protecção social aos incapazes. Acontece que nos últimos anos se tem verificado um crescimento massivo da actividade governamental e do seu peso na actividade económica tendo em vista politicas de interesse próprio sobre gastos públicos. Uma das explicações para este crescimento governamental é a de que as actividades politicas se regem por princípios semelhantes aos económicos nomeadamente através de uma competição pelos votos, no entanto nem todas as actividades governamentais adoptam esta forma. A articulação do estado com a economia deve fazer-se através de duas medidas: a primeira é ter um “papel protector” e a segunda o “papel produtivo” na qual o estado toma a seu cargo actividades que não devem de ser atribuídas aos indivíduos. Uma outra explicação explica que a participação do estado se devia de ocupar da maximização da liberdade individual protegendo e ordenando os indivíduos evitando monopólios de poderio.
Buchanan salientou o problema da origem da legitimidade dos direitos individuais e da sua defesa. Desde sempre tem havido o mínimo de ordem moral que permite a legitimidade destes direitos e Buchanan afirma que a anarquia moral actual é responsável pela crescente ingovernabilidade das sociedades modernas. Há pressupostos de ordem moral que têm em conta as obrigações para com os outros numa reciprocidade social. Estes princípios têm vindo a sofrer uma erosão nomeadamente em sociedades como os EUA. Ficamos assim com a consciência de que o liberalismo económico não está isolado do social e das suas componentes.
Conclusivamente o liberalismo económico inicia-se com um reconhecimento do indivíduo pré-social que, possuidor de interesse próprio e de racionalidade é ligado ás instituições sociais nomeadamente ao direito à propriedade privada e ao mercado. O mercado está sujeito a uma ordem de auto-regulação que é expressa na formação dos preços. O mercado e a propriedade privada nasceram segundo os primeiros liberalistas de uma forma não planeada que foi mais tarde teorizada em politicas publicas de regulamentação do mercado livre levando a crer que a auto-regulação não pode ser tão absoluta como se pensava ao início. O liberalismo económico foi historicamente anti conservantista e progressista tendo efeitos corrosivos sobre o poder aristocrático e o tradicionalismo económico.

Apesar desta preconização do Liberalismo económico pelos clássicos ingleses, a sua pratica veio a revelar-se um tanto ou quanto utópica enquanto implementação pragmática duradoura. As leis do liberalismo económico que se pensavam absolutamente funcionais revelaram-se insuficientes para manter o sistema económico e este entrou em crise nos anos trinta. Constatou-se finalmente que esta ideologia não podia manter-se fixa pois o próprio mercado sofre acção de inúmeras variáveis mesmo daquelas que não têm directamente a ver com a economia. Desta forma foi sugerido por Kanes a ideia de que haveria uma constante alternância entre o liberalismo económico uma maior participação do estado na economia. Desta forma começa a fazer sentir-se a necessidade de entender e construir a economia segundo modelos mais dinâmicos chegando-se assim até aquilo que se considera ainda hoje o verdadeiro objecto da economia: o bem-estar da população.

Holton Robert J.(1995) Economia e Sociedade. Ed. Piaget, Lisboa,

Smith Adam, A riqueza das Nações

Cap IV-A origem e utilidade da moeda

Num período posterior ao desenvolvimento social responsável pela divisão do trabalho, verifica-se que na sociedade é imprescindível a troca, pelo menos aos trabalhadores que incorporam esta estratégia de produção. Uma vez que um individuo faz parte de um trabalho especializado numa cadeia de produção de um produto especifico, deixa de poder ser o trabalhador polivalente que encabeça todos os processos de produção e criação de uma vasta gama de bens, os quais em variedade mínima supriram as suas necessidades e as da sua família. A divisão do trabalho tendo como vantagem os aumentos na produção, incrementou assim a necessidade da troca de bens e a sociedade torna-se mercantil. Estas trocas são essencialmente possíveis porque, devido à divisão do trabalho, todos os homens têm em excesso o produto do seu trabalho especializado mas têm em défice ou total escassez outros bens de que necessitam que são por sua vez produzidos pela especialização de outros homens. Acontece no entanto que os serviços que uns homens podem prestar aos outros são em grande parte limitados uma vez que as trocas de bens nem sempre eram possíveis ou justas devido aos diferentes valores em trabalho que determinada mercadoria possuía bem como ás diferentes quantidades inerentes à essência de determinados bens, que podiam ser indivisíveis. A termo de exemplo, um homem que deseje obter um punhado de sal e só possua uma vaca para dar em troca, terá de trocar todo o valor da vaca pela quantidade correspondente em sal. Outro tipo de problema derivado da troca directa em géneros é o das necessidades, ou seja, se um homem necessita de um determinado bem que outro homem possui em excesso para troca, e não possui em excesso nada em que o outro possa ter interesse, não será possível ao primeiro obter o que necessita. Havia no entanto homens avisados que traziam consigo os mais diversos bens que trocavam pelo seu bem inicial, isto para poderem saldar qualquer troca com o produto que o outro necessitasse, aumentando dessa forma as suas possibilidades de obtenção imediata de bens. Nas primeiras sociedades sabe-se que o valor do gado era o instrumento de troca corrente daí que posteriormente o valor de determinados produtos tenha sido calculado com base no número de cabeças de gado por que haviam sido trocadas. No entanto muitos outros bens foram utilizados pelo homem como bem de troca por excelência tal como o sal, o açúcar ou o tabaco. Acontece que como passar do tempo se verificou uma preferência generalizada por bens não perecíveis onde o metal acabou por ser o eleito devido ás suas particularidades nomeadamente a possibilidade de divisão e de fusão que permitia a sua utilização para múltiplas funções. O metal era ao contrário de uma vaca divisível para ser trocado por diversas porções de vários materiais podendo ser cortado na quantidade certa para a troca. Os metais preferidos pelos homens foram o ferro, o cobre, o ouro e a prata variando a sua importância consoante a nação. No início estes metais não tinham qualquer marca ou cunho e constituíam o dinheiro na sua forma mais primitiva, o que acarretava problemas a nível da pesagem e da pureza do material. De cada vez que era efectuada uma troca era necessária a pesagem do metal o que constituía um incómodo. No que respeita à qualidade do material esta trazia ainda mais incertezas e desconfianças. A solução encontrada face a estes problemas foi a afixação de uma marca nacional, primeiro para certificar da qualidade e depois para certificar a quantidade do mesmo. A este processo chamou-se a cunhagem da moeda, arte que foi sendo sucessivamente aperfeiçoada até cobrir todos os lados da moeda para que não pudessem haver cortes no material.
Assim cada nação passou a cunhar a sua moeda. Calcula-se que o nome Xelim se remetesse na sua origem à designação de um peso. Um xelim parece ter tido sempre uma relação com o penny-peso e com a libra embora a relação entre estas duas se tenha ao longo da história mantido mais constante. Desde que apareceu o dinheiro cunhado e valorizado dentro de cada nação apareceram também os câmbios de preços de moedas. Ao longo da história tem-se verificado a manutenção do valor das moedas embora a quantidade de metal valioso original tenha sido em grande parte reduzida. Com estas operações de redução foi possível aos príncipes e estados conseguirem pagar “aparentemente” uma despesa com quantidades de prata interiores o que se resume a uma operação favorável para o devedor e muitas vezes ruinosa para o credor chegando a originar falências estrondosas e fortunas misteriosas.
Foi desta forma que a moeda se tornou o instrumento universal de trocas em todas as nações ditas civilizadas.


O aparecimento da moeda permitiu o desenvolvimento da sociedade mercantil no sentido em que permitiu não só a apropriação privada e a acumulação de capital, ao contrário do que acontecia nas sociedades caçadoras nas quais não havia nenhuma destas noções. A moeda é como se contacta facilmente a chave para o desenvolvimento das sociedades ocidentais pois permitiu o comércio externo e a acumulação de riqueza, riqueza esta que viria mais tarde a ser a chave para a industrialização. É facilmente visível que o progresso mais significativo se verificou após a consolidação no sistema económico destas três características: a moeda, a apropriação privada e a acumulação de capital. A essencial necessidade verifica-se sempre que muma sociedade simples o mercado se começa a diversificar. Isto acaba por acontecer mais cedo ou mais tarde em todas as sociedades, uma vez que nenhuma sociedade no mundo existe isolada. Desta forma a diversificação dos materiais e a consequente dificuldade nas coorespondencias entre todos os productos a ser trocados parece ter sido uma das principais razões que potenciaram o aparecimento da moeda, sendo esta, neste periodo embrionario o bem mais comum e necessario acabando este por ser formado num bem de troca e coorespondencia de valor universal entre todos os restantes bens. É no fundo este o carácter essencial da moeda que pode assumir as mais diversas formas, tais como o vinho, o sal, o gado, o metal ou bens ornamentais. Seria no entanto ingénuo acreditar que a passagem de estes vários bens de troca para a moeda metal, ou moeda papel se processou de forma casual. O que na realidade sucedeu nas diversas sociedades mercantis é que, sendo a moeda ela própria uma mercadoria, se gerou um enorme problema económico uma vez que esta moeda possuía dois tipos de valor; o valor de troca e o valor de utilidade. Desta forma, o valor utilitário estaria constantemente a alterar-se consoante o seu nível de escassez ou abundância o que despoletava importantes transtornos económicos. A solução encontrada para resolver o problema foi em todas as sociedades a de despojar a moeda de todo e qualquer valor utilitário conservando apenas na moeda o seu valor de equivalente geral entre mercadorias.

Smith Adam, A riqueza das Nações, fundação Calouste Gulbenkian, 1993.

Biografia - Bronislaw Malinowski

Bronislaw Malinowski nasceu em Cracóvia, Polónia, a 7 de Abril de 1884. De descendência aristocrata nasceu no seio de uma família com interesses culturais e académicos, que certamente contribuíram para o êxito que este teve nas áreas que se envolveu.
Começou por estudar matemática e física, mas ao ler “The Golden Bough” de James Frazer o seu interesse por antropologia despertou, e foi já em Londres, na escola de economia e estudos políticos que este procurou desenvolver o seu trabalho neste campo.
Entre 1915-1918 realizou a sua primeira monografia etnográfica na Nova Guiné, em que o método (trabalho de campo e observação participante) constituiu um importante passo para o estudo antropológico, e deste trabalho surgiu, em 1922, o livro os “Argonautas do pacifico oeste”. Apesar de ser este o seu maior e mais valioso trabalho de campo, Malinowski trabalhou também com tribos da Austrália, do Arizona, da África oriental e do México.
Dividindo-se entre o trabalho de campo e o de professor, este passou pela Universidade de Londres , Universidade de Cornell, Universidade de Harvard e pela Universidade de Yale. Ainda no desenvolvimento do seu trabalho, na área da antropologia cultural formulou uma tese sobre o Funcionalismo.

Os argonautas do pacifico ocidental

A monografia “Os argonautas do pacífico oeste” é o produto final do trabalho de campo levado a cabo por Bronislaw Malinowsky aquando da sua estadia durante um período de dois anos e meio distribuído por três expedições nos vários distritos da nova Guiné, trabalho que no total durou cerca de seis anos a realizar, 1914–1920. O grosso do estudo é feito essencialmente nas ilhas Trobriand na parte este da nova Guiné.

As três fazes do método
1- Método de documentação estatística por prova concrecta
2- Tipo de comportamentos (imponderabilidade da vida actual)
3- Busca da mentalidade do nativo e dos seus modos de pensar e sentir

Apresentação da obra
O essencial desta obra prende-se com a apresentação do método e com a efectivação do mesmo na concretização da própria monografia que se encontra deveras de acordo com o método proposto. A obra centra-se em todo o processo que envolve o kula.
O kula é uma de troca de bens inter-tribal entre populações de várias ilhas a norte e este da Nova Guiné. Estas trocas são realizadas num circuito fechado entre os habitantes de ilhas vizinhas. O kula é sobretudo um meio de socialização em que está implícito uma parte cerimonial e uma parte comercial, da qual a magia faz parte para esta ser bem sucedida.
Do ponto de vista do autor, para se estudar um determinado fenómeno social, a observação directa não é suficiente, é necessário conhecer todos os detalhes que o antecedem bem como as pessoas que o envolvem. Deste modo o que o autor fez, foi nos dar a conhecer a complexidade que envolve o Kula, através do relato do dia-a-dia da tribo das ilhas Trobriand, que envolve áreas de conhecimento sobre a sua forma de economia, política, lazer, crenças, mitos, magia, entre outras, que só é perceptível no acompanhamento diário dos nativos, na participação da sua vida social e observação dos seus comportamentos perante as situações que se lhes apresentavam. Desta forma ficamos a conhecer todos os passos para se fazer uma canoa, incluindo a magia que lhe está inerente, bem como as relações entre as tribos, as suas semelhanças e diferenças tanto físicas como comportamentais, e uma variedade de fenómenos que vão formando o puzzel que origina o Kula.

O essencial do Kula

· É uma forma de troca de bens inter-tribal entre populações de várias ilhas a norte e este da nova Guiné.
· Os bens trocados não são de primeira necessidade, são decorativos, supérfluos.
· Trocas são realizadas em circuito fechado.
· Circulam nesse circuito 2 tipos de bens (vaygu’a)
Os soulava = colares de conchas vermelhas que rodam no sentido dos ponteiros do relógio
Os mwaya = braceletes de conchas brancas que rodam no sentido oposto aos ponteiros do relógio. E nunca voltam em direcção oposta
· Estes elementos estão sempre a girar de ilha para ilha ficando na posse dos nativos entre um a 2 anos nunca mais.
· Os valores do kula não pertencem a ninguém, não têm valor absoluto.
· Movimentos regidos por regras ancestrais adicionais acompanhados de ritos e magia
· Existem parceiros fixos e vitalícios para o kula que se comportam como amigos dando segurança uns aos outros quando estão em terras estranhas. As jóias não têm valor monetário nem podem ser vendidas

Os argonautas do pacifico ocidental

O essencial do Kula

· É uma forma de troca de bens inter-tribal entre populações de várias ilhas a norte e este da nova Guiné.
· Os bens trocados não são de primeira necessidade, são decorativos, supérfluos.
· Trocas são realizadas em circuito fechado.
· Circulam nesse ciclo 2 tipos de bens (vaygu’a)
Os soulava = colares de conchas vermelhas que rodam no sentido dos ponteiros do relógio
Os mwaya = braceletes de conchas brancas que rodam no sentido oposto aos ponteiros do relógio. E nunca voltam em direcção oposta
· São cerimónias públicas
· “Uma vez kula, kula para sempre”
· Estes elementos estão sempre a girar de ilha para ilha ficando na posse dos nativos entre um a 2 anos nunca mais.
· Movimentos regidos por regras ancestrais adicionais acompanhados de ritos e magia
· Existem parceiros fixos e vitalícios para o kula que se comportam como amigos dando segurança uns aos outros quando estão em terras estranhas.
· O numero de parceiros varia consoante a importância do individuo
Cada indivíduo do kula não sabe a real dimensão do evento nem as suas funções e implicações. Não sabem fornecer uma descrição
· Curiosamente 90% das jóias não são para ser usadas, por serem mito grandes ou muito pequenas, mesmo as que são para usar não são de uso diário, só nas festas
· Só o chefe pode possuir algumas jóias do kula que pode emprestar se assim o entender.
· As jóias têm poder temporário que confere importância e glória à vila
· As jóias não têm valor monetário nem podem ser vendidas. O seu valor está no simples facto de existirem.
· O valor vaygu’a está relacionado com um sentimento histórico pois passaram pela mão de pessoas importantes, são um veículo sentimental. As pessoas têm prazer em possui-los.
· Os valores do kula não pertencem a ninguém, não têm valor absoluto.
· Alguns são ganhos por herança e ficam fora do kula
· Trocam-se também outros objectos para pagar desigualdades no valor de cada objecto do kula
ü Presentes solicitátios: (Kaributu), espadas, machados
ü Ofertas: (pokala) em géneros alimentícios /animais de criação
· Os homens que têm muito, têm de ser mais generoso, isso é uma virtude caso contrário o outro pragueja contra quem lhe deu pouco.
· O kula é sobretudo um meio de socialização

Malinowsky compara as jóias do kula ás jóias da coroa ilustrando assim o seu sentido de preciosidade:
As pessoas sentem-se seguras pelas jóias estarem em segurança, protegidas e não nas mãos de qualquer um.

Actividades acessórias para o Kula
Construção de canoas (parece o acontecimento principal)
Fixação de datas para o kula
Ritos dirigidos à canoa desde a construção até ao kula.

1-fabrico das canoas
2-lançamento cerimonial
3-Escolha da comunidade com quem trocam bens
4-seguir os nativos

Os meios da etnografia

A monografia “Os argonautas do pacífico ocidental” é o produto final do trabalho de campo levado a cabo por Malinowsky aquando da sua estadia durante um período que se estendeu a um total de seis anos 1914-1920 distribuindo por três expedições nos vários distritos da nova Guiné. O grosso do estudo é feito essencialmente nas ilhas Trobriand no este da nova Guiné. Esta monografia deu um particular destaque ao estudo de um peculiar sistema de trocas existente entre os habitantes de ilhas vizinhas da nova Guiné.

A obra possui no início um capítulo metodológico onde vêm explicitados os processos segundo os quais o etnógrafo se moveu e operou no terreno.
Esta metodologia foi a primeira adoptada como método científico de trabalho etnográfico pelo que consideramos importante explicitar os principais pontos da mesma:

Método de documentação estatística por documentação concrecta
Esqueleto organizativo
Observação participação nos eventos e registo de informação

· Organização da tribo e anatomia da sua cultura
· Observação do território
· Aproximação dos nativos e Observação do seu comportamento
· Observação dos rituais e procedimentos
· Construir tabelas sinópticas com o resumo dos procedimentos dos eventos etc, estas servem para a organização dos procedimentos e como ferramenta para posteriores trabalhos de campo.
· Aprendizagem da língua e o comportamento social standard “etiqueta”
· Contacto com as ferramentas utilizadas e os seus nomes termos e conceitos
· Observação objectiva implica a abolição de juízos de valor, ou preconceito e abstenção da opinião
· Adoptar uma postura activa e participativa

Tipo de comportamentos (imponderabilia da vida actual)
Esqueleto estrutural

· Observação mais pormenorizada da vida e dos costumes diários, incluindo as pequenas nuances do comportamento observadas em profundidade
· Cuidados com o corpo,
· Modo de comer,
· Performance,
· Tom de conversa,
· Existência de amizades / inimizades,
· Reacções emocionais

Busca da mentalidade do nativo e dos seus modos de pensar e sentir
· Documentação da mentalidade da comunidade nativa
· Pretende-se uma maior proximidade do indivíduo através das conversas
As suas motivações e ambições
(por vezes torna-se difícil visto muitas vezes não possuírem palavras para as suas emoções, e só as possam expressar mediante acontecimentos específicos)
· Perceber os estereótipos de pensamento e sentimento colectivo.
· Coleccionar frases e características narrativas
· Escrever as palavras em língua nativa. (É útil criar um dicionário de termos para estudos posteriores).

Relembrar sempre o fulcro do nosso estudo:
Estudar a comunidade nativa e entender a sua visão do mundo

Para além da exposição do método
Malinowsky aconselha pessoalmente a adopção de certos comportamentos e atitudes para facilitar o trabalho:

ü Dar segurança e ajudar na doença
ü Dar um passeio e voltar quando sentir solidão para ter mais interesse em conviver.
ü Mostrar interesse em participar nas festas e eventos
ü Acordar com o nativo para o dia e observar os pormenores familiares íntimos
ü Procurar neutralizar a nossa presença
ü Não quebrar a etiqueta
ü Partilhar das brincadeiras e dos jogos
ü Andar sempre munido de um diário e uma câmara fotográfica


Para além da exposição dos seus procedimentos metódicos e conselhos pessoais provenientes da experiência, Malinowsky documentou a sua obra descritiva com fotografias de nativos e de situações particulares relacionadas com a vivência dos mesmos. Temos fotografias das aldeias, de ritos, de cerimónias, da aparência dos nativos em geral, das canoas que justificam o titulo “os argonautas…” e até fotografias objectivas dos artefactos utilizados nas trocas do kula. Através desta forma de ilustração torna as suas descrições muitíssimo mais concretas e a sua experiência ganha uma maior componente de partilha no por meio do estímulo visual ilustrando assim o imaginário desenvolvido no leitor ao longo das suas correntes descrições. Existem ao longo da descrição constates referencias para as fotografias que se encontram devidamente numeradas e legendadas em anexo no final da obra. Há que salientar que a própria capa do livro é ilustrada com uma fotografia particularmente apelativa remetendo-nos de imediato para a calmaria dos mares do sul e para mundos ainda desconhecidos.

Temos demonstrações da observação participante levada a cabo por Malinowsky uma vez que é denotado o interesse na aprendizagem da língua nativa e dos termos mais específicos os quais usa frequentemente ao logo da sua descrição. Faz inclusivamente traduções dos feitiços e das palavras magicas usadas pelos feiticeiros durante as cerimónias e festividades e explica também o modo de funcionamento da língua nativa em traços muito gerais

Quanto a referências ás condições materiais de estadia remete-se apenas ao seu amigo Mr. B Hanckock através de um agradecimento por lhe ter sido facultada a possibilidade de guardar o seu material de trabalho e provisões em sua casa bem como o uso da mesma na ilha Gusaweta, arquipélago Trobriand. Refere também que lhe foi, em várias ocasiões, alugado um barco e prestado auxilio na doença pelo mesmo amigo. Algumas das fotos que estão expostas no livro foram igualmente cedidas pelo mesmo homem

A etnografia como conhecimento aprofundado

A monografia mesmo sendo temática denota um claro estudo das condições em que se desenvolve a actividade focada. Todos os registos foram analisados com relativo pormenor excepto a realidade das mulheres e da própria vida familiar, aspectos que nos pareceram um pouco marginalizados, talvez por razões de natureza inerente à condição do etnógrafo ou eventualmente por própria decisão do mesmo em não se debruçar muito sobre estas áreas uma vez que os processos do kula são na sua maioria desempenhados por homens Outras áreas que também não foram abordadas foram a alimentação. De resto quase todas as outras temáticas foram relactivamente desenvolvidas, desde os rituais, o parentesco, a mitologia, a sexualidade, passando também pelos conceitos de poder e prestígio social. Estas descrições encontram-se muito bem articuladas como se pode constatar através da ligação directa que o etnógrafo fez entre o estatuto social, a sexualidade e a obtenção de riqueza nos trobriandeses.
São especialmente aprofundados os temas que se relacionam directamente com o ritual do kula como é o caso da magia, da construção das canoas, da existência dos artefactos e das suas particularidades e do esquema de regras e organização geral que possibilita as trocas. Foi também dada uma certa atenção através de uma analogia do valor que os objectos do kula possuíam para os nativos em comparação com os valores da sociedade ocidental.

A monografia não projecta um grande grau de familiaridade uma vez que não encontramos diálogos directos nem referencias a um indivíduo em particular.
É uma observação que não denota especial interesse na conversa com o nativo mas mais sim na observação e descrição do comportamento do mesmo.
Apesar disso a monografia pode ser considerada reactivamente completa uma vez que foca vários aspectos da vida e existência social dos nativos não se centrando única e exclusivamente em apenas um dos aspectos da vida dos mesmos.
Apesar de pecar por ser uma monografia um tanto distante em termos participativos do nativo na complementação da mesma, podemos considera-la descritiva o suficiente para nos dar um mapa geral do funcionamento social.

O ponto de vista indígena

O autor trata o povo estudado por “nativos” e pensamos que os considera informantes uma vez que não nos mostra nunca um eventual diálogo com um interlocutor ou colaborador.
Malinowsky não descreve as reacções dos nativos face à sua presença, afirma apenas que os nativos de diferentes ilhas têm personalidades particulares. Considera os trobriandeses mais hospitaleiros e colaborantes do que as restantes tribos. Pontualmente faz referencia ao comportamento das mulheres numa das lhas visitadas pelo facto da presença de estranhos despertar a fuga das mesmas para locais escondidos.
É feita uma descrição anónima dos nativos. São analisados como um grupo e não existem referencias a indivíduos nem a nomes particulares
Não existe qualquer participação directa dos indígenas na monografia ou na discussão da mesma.
A monografia recorre frequentemente à terminologia indígena.
Note-se que não há qualquer espécie de agradecimentos aos nativos.

A monografia como produto final

Quanto ao género podemos considerar esta monografia como realista uma vez que pretende observar os factos de um modo neutro, descritivo não fantasioso ou alegórico.
Por vezes o autor adopta um tom confessional de discurso através do uso de expressões que remetem para si como observador individual: “eu vi”, “eu penso”, “parece-me”, por outro lado o carácter puramente descritivo está bem demarcado demonstrando um claro interesse em tornar o seu discurso impessoal e na objectividade que isso tende a proporcionar. Mas é sobretudo importante realçar o tom análogo ao das leituras de viagem no que diz respeito à descrição das paisagens.
Malinowsky, apesar da sua objectividade não pretende descurar a beleza e exotismos desde cedo associados ás ilhas do pacífico sul nem perder o carácter apelativo de tais modos de escrever característicos da literatura de viagens. Os primeiros homens, descobridores, colonizadores, administradores e missionários adjectivaram tão profundamente estas paisagens características e os seus peculiares habitantes nos seus escritos que o autor de certo modo acabou rendido a um certo impressionismo. A narrativa realiza-se no tempo presente e está organizada cronologicamente. O autor realizou uma visita breve ás varias ilhas intervenientes no kula começando a sua viagem desde as ilhas do sul até ás do norte acabando na ilha Trobriand também conhecida como Boyowa onde se instalou e ai efectivou o seu trabalho de campo. O seu percurso acompanhou o mesmo trajecto que os valores do kula seguem, o que se articula perfeitamente com o tema principal adoptando a forma estrutural do grande tema em questão.
Quanto ao argumento esta monografia de Malinowsky cinge-se a uma ilustração sequencial do tema que se propõe tratar no início da obra.
Através de um estilo literário que lhe é próprio Malinowsky conseguiu obter uma monografia de linguagem muito acessível e convidativa, o próprio tema a tratar envolve uma enorme componente de misticismo que Malinowsky soube aproveitar muito bem, e que, nunca perdendo claro a sua componente cientifica soube tornar em algo que quase se podia apelidar de leitura de massas.

Etnografia e teoria

A monografia é apenas descritiva, não contém objectivos teóricos, trata-se sim de uma observação linear do comportamento nativo sem ambições teóricas evidentes. Existem porém pareceres e opiniões devidamente contextualizadas ao longo do desenvolvimento dos temas na obra.

A experiência do terreno

O etnógrafo não descreve momentos particularmente tensos com os nativos até porque só raramente se assume como narrador na primeira pessoa. Acreditamos que não terá havido espaço para tais descrições uma vez que a objectividade científica é constantemente perseguida. Faz de facto menção a um ou outro episódio particular de saturação, em que sente necessidade de passear sozinho.
Não denota nenhum grau específico de afectividade com as populações, deixa apenas transparecer um maior ou menor grau de simpatia pelas tribos que vai visitando, considera, por exemplo os trobriandeses mais “educados” e com ar mais inteligente, reconhece também a sua beleza em oposição a outras tribos que chega a considerar de aspecto grotesco.

As exigências do relativismo cultural

Não é notada qualquer tipo de agenda exterior à cultura estudada.
Podemos considerar que o autor tem uma atitude primitivista. Traz consigo, apesar de todos os esforços em contrario, o preconceito característico dos etnógrafos da altura relacionado com a superioridade da civilização ocidental relactivamente ás populações nativas. Isto é visível pela falta de consideração pela opinião do nativo, ele não aparece em discursos nem sequer é mencionado nos agradecimentos. Não há qualquer observação feita a evolução técnica, cultural ou sociológica o que leva a crer que acreditava nestas tribos como sociedades paradas no tempo sem capacidade para evoluir.
É de certa forma um pouco etnocentrico concentrando-se mais nos aspectos da sua própria realidade, vemos isso pela escassa presença das mulheres e crianças nas suas descrições.
Apesar do seu presente primitivismo Malinowsky denota uma extrema sensibilidade esboçando precocemente já um certo relativismo cultural.
Esta faceta de Malinowsky está presente aquando da sua expressão de desagrado pela postura dos missionários perante os nativos. Acusa-os de condenarem e proibirem a poligamia, pratica comum nos chefes das tribos que o autor reconhece como sendo um factor crucial para o equilíbrio e continuidade da vida tribal destas ilhas. O autor acredita até que é esta falta de tolerância dos ocidentais para com estas sociedades que tem vindo a promover a diminuição dos mesmos e que através de actos de proibição e conversão aos costumes ocidentais se faz quebrar o fio condutor de toda uma cultura que une os homens e que se alimenta na vitalidade das suas próprias crenças hábitos, costumes e prazeres da vida.
É igualmente na conclusão que Malinowsky demonstra mais uma vez a vontade que o move a fazer etnografia. Deseja claramente que se mantenham vivas tais culturas tendo a consciência de que o tempo urge para a etnografia e de que um dia o seu objecto de estudo estará em sério risco.

A dimensão politica da etnografia

Esta monografia não deixa transparecer qualquer conteúdo de natureza politica
Talvez apenas algumas referencias à existência de tribos sem estado ou poder centralizado onde quem tomava as decisões eram as pessoas mais velhas.